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Expedição científica parte do Brasil para explorar formação submarina de 1 mil km no Atlântico

há 9 minutos
3 min de leitura
Expedição científica parte do Brasil para explorar formação submarina de 1 mil km no Atlântico
Divilgação/Uma expedição científica parte de Fortaleza neste domingo (20) para explorar a Zona de Fratura Romanche, uma formação submarina de aproximadamente 1 mil quilômetros localizada entre o Nordeste do Brasil e o oeste da África.Batizada de The Gap, a missão utilizará robôs e submarinos capazes de alcançar até 4,5 mil metros de profundidade para mapear o fundo do oceano e coletar amostras de rochas e vida marinha.
Uma expedição científica parte neste domingo (20), de Fortaleza (CE), para mapear e explorar a Zona de Fratura Romanche, uma formação submarina de aproximadamente 1 mil quilômetros de extensão localizada entre a costa Nordeste do Brasil e o oeste do continente africano. A região é formada por uma sequência de montanhas e vales no fundo do Oceano Atlântico.

Batizada de The Gap, a iniciativa utilizará um rover e um submarino autônomo, operados a partir do navio de pesquisa Falkor (too). Os equipamentos serão utilizados para mapear duas áreas distintas e coletar amostras de rochas e de organismos que vivem nas paredes da formação, em profundidades de até 4,5 mil metros.

Pesquisa sobre a vida em águas profundas
A equipe vai investigar uma região onde ocorre a chamada ressurgência equatorial, fenômeno caracterizado pela elevação de águas mais frias e ricas em nutrientes para a superfície do oceano. O processo é sazonal e provocado principalmente pelos ventos alísios. Com a chegada desses nutrientes à superfície, há aumento das populações de animais microscópicos que formam a base da cadeia alimentar marinha.

Segundo o professor José Angel Perez, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que lidera a expedição, um dos principais objetivos é identificar e mapear a relação entre a ressurgência e as comunidades que vivem em regiões profundas, além de estudar a dinâmica das correntes e a morfologia dos habitats no fundo do oceano.

A pesquisa também pretende observar como a produção de alimentos na superfície influencia os ambientes de águas profundas. Para Perez, conhecer esses mecanismos é importante porque cerca de 70% da crosta do planeta está em regiões de oceano profundo, enquanto menos de 1% dessas áreas é conhecido.

A partir das evidências científicas coletadas, os pesquisadores pretendem contribuir para estudos futuros e ampliar o conhecimento sobre a importância de áreas de preservação.

Mudanças climáticas
Outro ponto de atenção da expedição serão os impactos das mudanças climáticas sobre as comunidades marinhas da região. De acordo com os pesquisadores, alterações nos ventos podem influenciar toda a cadeia relacionada à ressurgência.

A equipe também observará os efeitos associados à acidificação dos oceanos, processo que representa uma ameaça para importantes reservatórios de vida marinha, como os recifes de corais.

Mapeamento e exploração
A previsão é que o grupo chegue à área da Zona de Fratura Romanche por volta de 25 de setembro. O primeiro trabalho será realizado com uma sonda acústica instalada no navio, que será utilizada durante cerca de dois dias para produzir um mapa da região.

Depois dessa etapa, os cientistas utilizarão o SuBastian, um robô operado remotamente (ROV) capaz de alcançar até 4,5 mil metros de profundidade. O equipamento será responsável pela coleta de amostras submarinas e será pilotado por meio de um cabo conectado ao navio de pesquisa.

A operação do SuBastian será transmitida ao vivo, com narração, pelo canal do Schmidt Ocean Institute, instituição que patrocina a expedição e disponibiliza os equipamentos utilizados na pesquisa. A equipe também fará chamadas em tempo real com instituições de ensino previamente selecionadas.

Nas áreas consideradas mais promissoras, os pesquisadores utilizarão ainda um submarino autônomo, capaz de se aproximar do fundo do oceano e realizar mapeamentos com precisão de centímetros. A mesma operação será repetida em uma segunda área, localizada mais próxima da costa africana.

Resultados podem render pesquisas por uma década
A expectativa dos pesquisadores é sistematizar os primeiros resultados da expedição em aproximadamente dois anos. Segundo Perez, porém, os dados coletados devem continuar sendo utilizados em trabalhos científicos por muitos anos, especialmente com a participação dos especialistas e estudantes que integram a equipe.

O grupo liderado pelo professor é formado por outros cinco professores universitários brasileiros, sendo dois da Univali, um da Universidade de São Paulo (USP), um da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e um da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Também participam sete estudantes, um pesquisador e a tripulação.

Ao todo, 25 especialistas de cinco nacionalidades integram a expedição, que tem previsão de desembarque em Gana no dia 26 de outubro.

A equipe utilizará o navio de pesquisas Falkor (too), cedido pelo Schmidt Ocean Institute (SOI), instituição que fomenta pesquisas relacionadas aos oceanos. Em 2026, o SOI promove outras oito expedições no Atlântico Sul e no Caribe, todas sem fins lucrativos e com o compromisso de disponibilização pública dos resultados das pesquisas.

A Univali integra o Programa de Mar Profundo, do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), e participa de expedições desse tipo desde 2009. A instituição também esteve envolvida em pesquisas realizadas em 2013, 2018, 2019, 2022 e 2025.
Fonte: AgBrasil

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