Exportações de minério de Minas para a China caem, enquanto vendas de café disparam
31 de dez. de 2025
2 min de leitura
Reprodução
As exportações de minério de ferro e seus concentrados de Minas Gerais para a China registraram queda no acumulado de janeiro a novembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. Em sentido contrário, as vendas de café não torrado, não descafeinado, em grão apresentaram forte crescimento, impulsionando a receita do setor agrícola no comércio bilateral.
Os dois produtos lideraram a pauta de exportações mineiras para o mercado chinês. Mesmo com a retração, o minério de ferro permaneceu como o principal item exportado pelo estado. Já o café avançou da nona para a quinta posição entre os produtos mais comercializados, refletindo o desempenho positivo no período.
No caso do minério, a receita recuou 4%, somando US$ 8,7 bilhões. A queda é atribuída à redução do preço médio do produto nos onze primeiros meses de 2025, em meio à desaceleração da economia chinesa, especialmente no setor imobiliário, e ao excesso de oferta de aço no mercado global. A avaliação é do analista de negócios internacionais da Fiemg, Felipe Ramon.
Apesar do cenário recente, Ramon aponta sinais de recuperação. Segundo ele, desde agosto as cotações do minério de ferro vêm reagindo, o que pode elevar o valor dos embarques em 2026, diante das promessas do governo chinês de estímulo ao consumo e a novos investimentos produtivos.
Já o café teve crescimento expressivo. O valor exportado por Minas Gerais para a China avançou 127,3%, alcançando US$ 363,3 milhões. O resultado foi impulsionado pela valorização da commodity, em razão da escassez global causada por eventos climáticos, e pelo impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
De acordo com Ramon, o consumo de café na China já estava em expansão, mas ganhou força após a aplicação da tarifa de 40% pelos EUA, em agosto, o que levou o governo chinês a habilitar 183 empresas brasileiras para exportação do produto. Com a retirada dessa sobretaxa e da tarifa de 10% em novembro, a expectativa é de retomada das vendas ao mercado norte-americano, o que pode influenciar o volume destinado a outros países, como a China.
Comentários