Família de brasileira morta em trilha na Indonésia acusa resgate de negligência
26 de jun. de 2025
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Divulgação Agência Brasil
Família de brasileira morta na Indonésia acusa resgate de negligência e pede justiça.
A morte da turista brasileira Juliana Marins, de 33 anos, durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, segue repercutindo nas redes sociais e gerando críticas sobre a atuação da equipe de resgate local. Em uma mensagem publicada nesta quarta-feira (25/6), a família de Juliana acusou os socorristas de negligência e afirmou que, se o atendimento tivesse ocorrido em até sete horas após a queda, a jovem ainda poderia estar viva.
Juliana caiu em uma cratera enquanto caminhava pela borda do vulcão no último sábado (21). Segundo a Agência Nacional de Busca e Resgate da Indonésia (Basarnas), as dificuldades de acesso, o mau tempo e falhas logísticas atrasaram o socorro. Apenas na terça-feira (24) um dos agentes conseguiu alcançar a brasileira, já sem vida. O corpo foi resgatado na manhã desta quarta.
“Juliana sofreu uma grande negligência por parte da equipe de resgate. Se a equipe tivesse chegado até ela dentro do prazo estimado de 7h, Juliana ainda estaria viva. Juliana merecia muito mais! Agora nós vamos atrás de justiça por ela, porque é o que ela merece! Não desistam de Juliana!”, diz o comunicado da família.
A operação de resgate ganhou repercussão internacional e dividiu opiniões. Enquanto brasileiros criticam a demora da equipe, moradores locais e defensores da Basarnas alegam que o terreno é extremamente complexo e que o esforço dos socorristas foi injustamente desqualificado. A própria Basarnas divulgou vídeos da operação e mensagens de apoio em suas redes sociais.
Em uma das mensagens compartilhadas, um usuário escreveu: “O caso da alpinista brasileira Juliana Marins virou fofoca global com narrativa enganosa, como se nossa Basarnas fosse incompetente... muitos dizem que Juliana foi abandonada por 72 horas sem qualquer ajuda... que diabos!”.
Especialistas em montanhismo da Indonésia, entrevistados pela BBC Indonesia, reconheceram que houve falhas estruturais, como o uso de cordas inadequadas e curtas, além da ausência de um helicóptero para o resgate nas primeiras horas. Mustaal, guia experiente que atua na região há 25 anos, afirmou: “As cordas não eram longas o suficiente. Isso não deveria acontecer. No futuro, todas as cordas — de 500 metros, 600 metros — devem estar disponíveis no local”.
O Monte Rinjani tem mais de 3,7 mil metros de altitude e é o segundo maior vulcão da Indonésia. Apesar de não ser considerado de alta dificuldade técnica, o cansaço físico extremo e o terreno acidentado elevam o risco de acidentes para trilheiros pouco familiarizados com a geografia local.
A família de Juliana, que era publicitária e natural do Brasil, anunciou que irá buscar justiça por considerar que houve falhas graves na condução do resgate. O caso reacende o debate sobre a estrutura de apoio a turistas em trilhas de alto risco e a responsabilidade dos países em garantir a segurança de seus visitantes.
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