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Fechamento de 54 agências da Cemig muda rotina em cidades do interior de Minas

  • 14 de jun. de 2023
  • 3 min de leitura



Quem procura por atendimento em agências da Cemig nas cidades do interior de Minas pode enfrentar dificuldades. O problema ocorre devido a decisão da estatal de fechar 54 unidades de atendimento presencial no Estado até agosto deste ano. A situação causa insegurança em muitos consumidores, que temem terem que viajar mais de 100 km para conseguir acesso ao serviço.

Em Guanhães, Lima Duarte e Barão de Cocais o serviço já foi encerrado. Além disso, cidades como Vargem da Palma, Carmo do Cajuru, Corinto, Conselheiro Pena e outros quatro municípios enfrentam o processo de encerramento dos atendimentos presenciais. Outras 43 passam por etapa de planejamento para que, em breve, passem por extinção.

A situação foi revelada a reportagem de O TEMPO pelo Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro MG). O coordenador da entidade, Emerson Andrada, explica que o fechamento das agências em cidades de pequeno e médio porte foi anunciado aos funcionários no final de março deste ano. Segundo ele, a extinção pode causar a demissão de 150 funcionários terceirizados que atuam nos estabelecimentos.

"Essas agências são terceirizadas e não interferem diretamente no servidor concursado. Mas o terceirizado está sendo demitido. Já estimamos que cerca de 150 trabalhadores e trabalhadoras percam o emprego após a conclusão dos fechamentos. O projeto inicial seria que todas essas agências estejam fechadas até o final de agosto", pontua.

Segundo o coordenador do Sindieletro, a explicação para o fechamento das unidades dada pela empresa seria "corte de gastos". Ele ressalta, no entanto, que o fim do atendimento vai gerar prejuízos aos consumidores do interior de Minas que, segundo ele, são os que mais necessitam do atendimento.

"Isso atinge o consumidor que mais precisa que é o do interior, que é quem fica mais tempo sem energia. Agora também terá esse problema em relação às agências de atendimento. O prejuízo é enorme. Primeiro, o distanciamento da prestadora com o consumidor, depois a falta de um local de reclamação, além da percepção do pioramento do atendimento. Isso nós avaliamos como uma medida de antecipação da privatização. O governo quer, aos poucos, aumentar a percepção de que o atendimento é ruim e que se privatizar vai melhorar", lamenta.
População teme impactos
O servidor público Evandro de Alvarenga, de 60 anos, afirma que os moradores de Guanhães foram pegos de surpresa com o fechamento da agência na cidade na última semana. "Não fomos avisados. Não tivemos notícias sobre isso e agora nem sabemos como resolver alguns problemas. Minha irmã precisa pedir o desligamento da energia, mas não sabe como vai fazer. Foram aqueles que não tem conhecimento de internet", disse.

Moradora de Conselheiro Pena, no Leste de Minas, a vendedora Eliane Moreira, de 24 anos, teme ter que viajar quase 100 quilômetros para ter acesso ao atendimento presencial da Cemig após o encerramento da agência da cidade. Ela ressalta que muitos clientes são da zona rural e sem acesso a internet, alternativa de atendimento para os consumidores.

"Os mais jovens ainda têm conhecimento de Internet, mas os mais antigos nem sabem como usar um celular. As pessoas moram na zona rural e nos distritos e vem à cidade para resolver os problemas. Com o posto de atendimento fechado, vão ter que se dirigir ao Governador Valadares para tentar resolver as pendências", reclama.
Cemig garante atendimento presencial
Questionada, a Cemig disse que vem conduzindo um projeto que visa transformar o processo de atendimento presencial aos seus clientes em diversos municípios, a partir do qual os atendimentos serão prestados em parceria com um estabelecimento comercial do município (um PCFA), e não mais pela Agência de Atendimento. A empresa reforça que "nenhum cliente terá que se deslocar para receber atendimento presencial".

"Trata-se apenas de mudança na forma de atendimento presencial: a Cemig D continuará oferecendo atendimento presencial aos seus clientes, durante 8 (oito) horas diárias, de segunda-feira a sexta-feira, garantindo a estrutura de atendimento oferecida hoje nas Agências de Atendimento, por meio de um parceiro devidamente treinado", aponta.

Sobre a demissão de funcionários, a Cemig afirma que os atendentes estão sendo remanejados e aproveitados na operação, nos casos em que há interesse mútuo. "Em algumas cidades, os próprios atendentes decidiram empreender e estão abrindo seu próprio negócio, passando a operar o novo PCFA local. Não existem empregados concursados trabalhando nas agências de atendimento", esclarece.

Fonte:O TEMPO


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