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Fhemig e UFMG usam inteligência artificial contra hemorragia pós-parto

  • há 13 minutos
  • 3 min de leitura

Reprodução
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A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) iniciaram nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, um projeto inédito de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação que utiliza a inteligência artificial para a prevenção da hemorragia puerperal. A complicação é apontada como uma das maiores causas de mortalidade materna em todo o mundo. Conduzida na Maternidade Odete Valadares, em Belo Horizonte, a iniciativa marca o primeiro acordo científico dessa natureza firmado pela fundação hospitalar e focado na saúde da mulher por meio de tecnologia avançada.
O estudo recebeu o título de “Inovações na análise da hemorragia puerperal: ampliação de dados, estratégias de risco e validação com Inteligência Artificial” e tem como meta criar modelos preditivos que consigam identificar precocemente o risco de sangramentos graves após o parto. A proposta é disponibilizar uma ferramenta de suporte para as equipes médicas já no momento da admissão das pacientes. Dessa maneira, torna-se possível traçar condutas assistenciais muito mais seguras logo na chegada da gestante à maternidade, otimizando o atendimento em momentos de alta complexidade.
Flávia Ribeiro, ginecologista e obstetra da maternidade e uma das pesquisadoras responsáveis, informou que a coleta e a análise de dados já estão em andamento com grande expectativa de resultados promissores. Ela destacou que o principal diferencial da pesquisa é a união de grandes bases de dados clínicos, integrando as informações da unidade com os registros da maternidade do Hospital das Clínicas da UFMG. Essa junção de informações oferece uma análise estatística robusta que supera os métodos tradicionais, permitindo enxergar fatores de risco sutis.
Além disso, os algoritmos passarão por um rigoroso processo de validação externa, sendo testados em ambientes hospitalares diferentes daqueles em que os modelos foram originalmente desenvolvidos. De acordo com a médica, esse cuidado metodológico é fundamental para garantir a confiabilidade científica dos dados e certificar que o sistema possa ser utilizado com segurança em outras instituições de saúde.
A parceria fortalece o papel da maternidade como polo de pesquisa e coloca a rede pública de saúde mineira na vanguarda da ciência de dados aplicada à medicina, evidenciando o potencial das instituições em produzir conhecimento prático para salvar vidas. Zilma Reis, que coordena o Centro de Informática em Saúde da Faculdade de Medicina da UFMG, ressaltou que a cooperação mútua abre caminho para novas parcerias no estado, além de incentivar a formação de profissionais de saúde capacitados para lidar com a inteligência artificial de forma ética e responsável.
O projeto ataca um desafio global de grandes proporções, uma vez que a hemorragia obstétrica responde por cerca de 25% das mortes maternas no planeta. A necessidade de antecipar esses episódios é urgente e ganha força na Maternidade Odete Valadares, que já é referência no atendimento de alta complexidade. Um exemplo da importância dessa prontidão foi o caso da costureira Karolina Ribeiro, de 30 anos, que deu à luz Maria recentemente. Diagnosticada com acretismo placentário — uma condição em que a placenta se fixa de maneira anormal ao útero —, Karolina sofreu um choque hemorrágico logo após o parto e precisou de uma intervenção rápida e precisa da equipe do Centro de Terapia Intensiva para sobreviver. A paciente destacou o preparo e a humanidade dos profissionais como fatores decisivos para a sua recuperação, o que reforça o impacto positivo que novas tecnologias preventivas trarão para as futuras gestantes atendidas pela rede pública.

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Gazeta de Varginha

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