Fila por transplante de córnea dobra no Brasil e chega a quase 4 anos em alguns estados
1 de set. de 2025
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O tempo de espera para transplante de córnea no Brasil dobrou nos últimos anos, atingindo o maior patamar da última década. Atualmente, 31.240 pacientes aguardam pelo procedimento, segundo o Ministério da Saúde.
A média nacional é de 374 dias — pouco mais de um ano. Porém, em alguns estados, a fila é muito mais longa. O caso mais grave é o do Rio de Janeiro, onde a espera pode chegar a 1.424 dias, equivalente a quase quatro anos. Em contraste, estados como Ceará (58 dias), Santa Catarina (164 dias) e São Paulo (247 dias) conseguiram reduzir os prazos.
O aumento da fila foi agravado durante a pandemia de Covid-19, quando cirurgias eletivas ficaram suspensas por seis meses. Além disso, a Sociedade Brasileira de Córnea aponta outros fatores, como falhas de organização nos sistemas estaduais e valores defasados pagos pelo SUS, que dificultam a ampliação da oferta.
Segundo Aline Moryama, coordenadora do Comitê de Banco de Olhos, muitos procedimentos de doação e processamento de córneas não têm reajuste desde 2008 ou 2009, embora um decreto recente tenha atualizado alguns valores.
Outro desafio é a falta de informação das famílias sobre a doação. Muitos parentes têm receio de alterações estéticas após a retirada da córnea, mas especialistas garantem que o resultado é natural. “Geralmente é retirada a córnea e parte do globo ocular, mas o aspecto final não gera constrangimento”, explicou Moryama.
Apesar das dificuldades, o Brasil continua sendo uma referência internacional em transplantes de córnea, mantendo elevado número de procedimentos realizados e estrutura consolidada de bancos de olhos.
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