Fim do espectro autista? Cientistas avaliam mudança no diagnóstico de pessoas com autismo nível 1
há 8 horas
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Pesquisadores têm debatido a possibilidade de criar uma nova classificação para pessoas atualmente diagnosticadas com autismo nível 1. A discussão ocorre devido à avaliação de que o conceito atual de Transtorno do Espectro Autista (TEA) passou a reunir indivíduos com perfis, capacidades e necessidades de suporte muito diferentes.
O diagnóstico de TEA atualmente engloba desde pessoas com grande autonomia até indivíduos que necessitam de acompanhamento permanente. Para alguns especialistas, essa ampla abrangência pode dificultar tanto as pesquisas quanto o atendimento adequado às diferentes necessidades.
A psicóloga britânica Dame Uta Frith, uma das principais pesquisadoras da história do autismo, passou a defender uma revisão do conceito de espectro. Segundo ela, a ampliação dos critérios diagnósticos foi importante para o avanço dos estudos, mas acabou reunindo características muito diversas dentro da mesma condição. O debate também envolve familiares e cuidadores de pessoas com maiores necessidades de suporte, que defendem maior atenção aos indivíduos com limitações cognitivas e funcionais mais intensas. A classificação do autismo mudou ao longo das décadas. Em 2013, com a publicação do DSM-5, diferentes categorias, como a síndrome de Asperger, foram unificadas no diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, dividido em três níveis de suporte: nível 1, nível 2 e nível 3.
Parte da comunidade científica avalia que uma futura edição do manual poderá criar uma categoria específica para pessoas atualmente classificadas como autistas nível 1. Ainda não há definição sobre uma possível nova nomenclatura ou mudança oficial.
Especialistas estimam que uma atualização do DSM poderá ocorrer entre 2029 e 2030, quando novos critérios poderão ser analisados.
No Brasil, qualquer alteração na classificação também poderá gerar discussões sobre os impactos legais, já que pessoas com TEA são consideradas pessoas com deficiência pela Lei nº 12.764/2012, que garante direitos relacionados à inclusão, atendimento prioritário e adaptações. Apesar dos debates, ainda não existe consenso sobre mudanças no diagnóstico. A discussão, porém, coloca em análise o futuro do conceito de espectro autista e a forma como diferentes perfis serão classificados nos próximos anos.