Fiocruz vai produzir medicamento inovador contra esclerose múltipla para o SUS
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Fiocruz anuncia produção nacional de medicamento inovador para esclerose múltipla no SUS.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a farmacêutica Merck e a Nortec Química anunciaram um acordo de transferência de tecnologia que permitirá a produção nacional da cladribina oral, medicamento utilizado no tratamento da esclerose múltipla. O remédio, comercializado com o nome Mavenclad®, será fabricado no Brasil e disponibilizado ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A iniciativa busca ampliar a autonomia do país na fabricação de medicamentos de alto custo e fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis), além de ampliar o acesso de pacientes brasileiros ao tratamento.
Segundo o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, a parceria representa mais um passo na estratégia da instituição de ampliar o número de medicamentos ofertados ao SUS. Ele destacou ainda a importância da produção nacional para garantir sustentabilidade ao sistema público de saúde, reduzir custos e fortalecer a indústria farmacêutica brasileira.
A cladribina oral é considerada inovadora por ser o primeiro tratamento oral de curta duração e eficácia prolongada para pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). O tratamento é administrado em até 20 dias ao longo de dois anos e pode manter benefícios terapêuticos por até quatro anos, reduzindo surtos e retardando a progressão da doença.
Atualmente, o medicamento é o único tratamento para esclerose múltipla incluído na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A produção será realizada por meio de parceria entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) e a Merck. A diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, afirmou que a iniciativa reforça o compromisso da instituição com o fortalecimento do SUS e o acesso da população a tratamentos inovadores produzidos em território nacional.
Estudos recentes apresentados no Congresso Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla apontaram resultados positivos do uso da cladribina oral. Entre os dados divulgados, pacientes acompanhados por cerca de 11 anos apresentaram baixos índices de incapacidade física: 90% não precisaram de cadeira de rodas e mais da metade não necessitou de outro medicamento para a doença.
Além desta parceria, a Merck mantém outros projetos com a Fiocruz relacionados ao tratamento da esclerose múltipla e da esquistossomose infantil.
A esclerose múltipla é uma doença crônica, inflamatória e degenerativa que afeta o sistema nervoso central, comprometendo cérebro e medula espinhal. Os sintomas variam de leves a graves e podem causar incapacidade progressiva. No Brasil, estima-se que cerca de 35 mil pessoas convivam com a doença.
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