França mobilizará 70 mil policiais e gendarmes para conter protestos previstos para o Halloween
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A França mobilizará cerca de 70 mil policiais e integrantes da Gendarmaria Nacional neste sábado (31), quando estão previstas novas manifestações em diversas cidades do país, coincidindo com as celebrações do Halloween. O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, classificou a data como um período de risco muito elevado para a ordem pública e prometeu uma resposta rigorosa a eventuais atos de violência.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (29), após grupos sindicais, estudantes e outros movimentos convocarem novos protestos. As autoridades também identificaram mensagens publicadas nas redes sociais que, segundo o governo, incentivam manifestações violentas, saques e atos de vandalismo.
Nuñez afirmou que as forças de segurança atuarão com rapidez e firmeza, sobretudo diante de possíveis concentrações previstas para a noite, depois do encerramento das manifestações tradicionais.
“Estamos vendo muitos apelos para manifestações vindos do movimento sindical, da extrema-esquerda radicalizada e de certos sites radicalizados dos ‘Coletes Amarelos’”, declarou o ministro, referindo-se às convocações para atos em vias públicas a partir das 20h de sábado.
O governo considera que a coincidência entre os protestos e o Halloween pode prolongar as aglomerações até mais tarde e dificultar o controle da situação.
Governo teme repetição de saques e confrontos
A mobilização ocorre após semanas de manifestações e episódios de violência em diferentes regiões francesas. No sábado anterior, 24 de outubro, cerca de 410 mil pessoas participaram de marchas, segundo o Ministério do Interior. Na ocasião, as autoridades também mobilizaram aproximadamente 70 mil agentes para impedir novos episódios de vandalismo e saques.
O reforço da segurança busca evitar a repetição dos distúrbios registrados em 17 de outubro, quando estabelecimentos comerciais foram danificados ou saqueados em diversas cidades. A resposta das autoridades passou a incluir maior presença policial, fiscalização de áreas comerciais e medidas para impedir que grupos violentos se aproveitem das manifestações.
Para o dia 31, o governo pretende manter o contingente de 70 mil agentes distribuídos pelo território nacional. A estratégia também prevê maior mobilidade das equipes, controles nos acessos às cidades e reforço da vigilância em locais considerados vulneráveis.
Nuñez afirmou que a orientação é agir com firmeza contra aqueles que tentarem provocar tumultos. Segundo ele, as forças de segurança deverão responder rapidamente a situações que ameacem a ordem pública.
Protestos poderão ocorrer fora dos centros das cidades
As autoridades francesas informaram que os protestos poderão ser autorizados, mas algumas manifestações deverão ocorrer fora dos centros urbanos, dependendo da avaliação de risco feita pelas autoridades locais.
Os prefeitos e representantes regionais poderão impor restrições ou proibir concentrações em áreas nas quais exista risco elevado de violência, especialmente nas proximidades de zonas comerciais que foram atingidas nos distúrbios anteriores.
O ministro também alertou para convocações feitas nas redes sociais para encontros noturnos acompanhados de mensagens que, segundo o governo, incentivam uma insurreição ou a prática de atos violentos. Nuñez afirmou que reuniões desse tipo poderão ser proibidas e dispersadas caso ocorram.
Outro ponto de preocupação é o uso de máscaras e fantasias de Halloween para ocultar a identidade durante possíveis atos criminosos. O governo advertiu que a celebração não deverá servir de justificativa para esconder o rosto com o objetivo de cometer vandalismo ou outros delitos.
Insatisfação com custo de vida e serviços públicos alimenta mobilização
As manifestações são impulsionadas por insatisfações relacionadas aos salários, ao custo de vida, às condições de trabalho e à qualidade dos serviços públicos. Estudantes e sindicatos também têm expressado preocupação com questões educacionais e com o cenário econômico do país.
Os organizadores defendem que a mobilização ultrapassou as reivindicações iniciais do movimento estudantil e passou a reunir diferentes setores da sociedade. Novos protestos estão previstos para 31 de outubro, enquanto sindicatos e estudantes também convocaram uma greve nacional para 5 de novembro.
O governo, por outro lado, sustenta que grupos radicais e pessoas envolvidas em saques têm aproveitado a insatisfação popular para provocar confrontos e destruir propriedades.
A avaliação das autoridades é que o sábado será particularmente delicado devido à combinação entre manifestações, concentrações noturnas e festas de Halloween. O dispositivo de segurança deverá, portanto, atuar tanto no acompanhamento dos protestos autorizados quanto na prevenção de possíveis atos violentos.
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