Governo Trump deve acelerar pedido de green card de Flávio Bolsonaro, diz jornal americano
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O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deverá acelerar um eventual pedido de residência permanente do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL), segundo informações publicadas pelo jornal The New York Times e reproduzidas pela CNN Brasil nesta quinta-feira (29).
De acordo com a publicação americana, Flávio pretende solicitar o chamado green card em algum momento, e o processo deverá receber tratamento rápido por parte da administração Trump, assim como ocorreu com o pedido de seu irmão, Eduardo Bolsonaro.
O green card permite que estrangeiros residam e trabalhem legalmente nos Estados Unidos por tempo indeterminado, desde que cumpram os requisitos da legislação migratória americana. A aceleração de um eventual processo, porém, não significa que a residência permanente já tenha sido concedida a Flávio.
Atualmente, o senador e sua família receberam uma autorização condicional para permanecer em território americano por até um ano, com prazo previsto até outubro de 2027.
Autorização temporária não equivale a residência permanente
A permissão concedida a Flávio, à esposa, Fernanda Bolsonaro, e às filhas é classificada como discretionary parole, uma autorização temporária que o governo americano pode conceder em situações específicas, incluindo casos de urgência humanitária ou de benefício público relevante.
Esse mecanismo permite a entrada e a permanência temporária nos Estados Unidos, mas não equivale a um visto convencional nem garante residência permanente. A concessão depende de uma avaliação individual pelas autoridades migratórias americanas.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, os registros da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos indicam que Flávio e familiares receberam autorização para permanecer no país até outubro de 2027.
A eventual solicitação de green card será um procedimento separado, sujeito às exigências legais aplicáveis. Até o momento, as informações disponíveis não indicam que o senador já tenha recebido a residência permanente.
Eduardo Bolsonaro conseguiu o green card em julho
A reportagem do New York Times aponta que Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, conseguiu o green card em julho de 2026, depois de aguardar mais de um ano pelo processamento de sua solicitação junto ao governo americano.
O caso de Eduardo é citado como referência para a expectativa de que um futuro pedido de Flávio possa avançar com maior rapidez. A previsão, entretanto, é atribuída à reportagem americana e não representa uma confirmação pública de aprovação antecipada pelas autoridades migratórias.
A possibilidade de tratamento acelerado ocorre em meio à aproximação política entre integrantes da família Bolsonaro e pessoas ligadas ao governo Trump.
Assessor de Trump teria organizado o avião usado por Flávio
Segundo o New York Times, Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, teria providenciado o jato particular utilizado por Flávio Bolsonaro na viagem aos Estados Unidos.
O senador deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das filhas. A aeronave partiu da Argentina, fez uma escala no Equador para reabastecimento e seguiu para Miami, na Flórida, onde pousou na manhã de quarta-feira (28).
Ainda segundo o jornal americano, Eduardo Bolsonaro manteve contato com Miller durante a organização da viagem. Uma fonte familiarizada com a logística informou à publicação que o plano foi colocado em prática na segunda-feira (26), depois que Flávio recebeu a determinação de entregar seus passaportes às autoridades brasileiras.
Questionada sobre o envolvimento do assessor, a Casa Branca direcionou as perguntas a Jason Miller. O Departamento de Estado americano também foi procurado para comentar o caso.
A viagem ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos documentos de viagem de Flávio à Polícia Federal. Segundo informações divulgadas pela imprensa, os passaportes brasileiros do senador foram cancelados após o descumprimento da ordem judicial.
Trump evita comentar a situação política brasileira
Na quarta-feira (28), Trump confirmou que o governo americano havia autorizado a entrada de Flávio Bolsonaro e de sua família nos Estados Unidos. Questionado por jornalistas sobre uma carta na qual o senador teria se autodeclarado “presidente eleito” do Brasil, o republicano afirmou que não pretendia se envolver na questão.
“Não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, declarou Trump em resposta a perguntas sobre o processo eleitoral brasileiro.
O presidente americano já havia afirmado, sem apresentar provas, que a eleição brasileira parecia fraudada. Autoridades eleitorais brasileiras e observadores independentes atestaram a regularidade da votação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno realizado no domingo (25), com aproximadamente 64,2 milhões de votos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro — uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos.
A possibilidade de acelerar um futuro pedido de residência permanente de Flávio acrescenta um novo capítulo à relação entre a família Bolsonaro e o governo Trump. Por enquanto, contudo, o senador e seus familiares possuem autorização temporária de permanência, e uma eventual concessão de green card dependerá de um processo migratório próprio.
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