top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

María Corina Machado afirma que EUA propõem eleições presidenciais na Venezuela para 2027

há 2 horas
4 min de leitura

Reprodução
Reprodução
A líder da oposição venezuelana María Corina Machado afirmou nesta quinta-feira (29) que os Estados Unidos propuseram a realização de eleições presidenciais na Venezuela em 2027, como parte de um processo de transição democrática. Segundo ela, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, apresentou uma sequência de etapas que prevê a preparação institucional para uma nova votação no país.

A declaração foi feita durante a primeira coletiva de imprensa de Machado desde que retornou à Venezuela, no domingo (25), após meses no exterior. A opositora afirmou que pretende trabalhar para garantir que todos os venezuelanos aptos a votar possam participar de futuras eleições.

“O secretário de Estado Marco Rubio estabeleceu uma sequência de etapas para avançar rumo a uma transição democrática, deixando claro que eleições presidenciais serão realizadas em 2027”, declarou Machado.

Até o momento, porém, nem o governo americano nem as autoridades venezuelanas anunciaram uma data oficial para a votação. A previsão de eleições em 2027 foi apresentada por Machado ao descrever o cronograma que atribui à administração dos Estados Unidos.

Transição política e mudanças nas instituições

A proposta faz parte das conversas apoiadas pelo governo do presidente Donald Trump com a administração interina venezuelana, liderada por Delcy Rodríguez, e grupos da oposição. As negociações envolvem mudanças no Conselho Nacional Eleitoral e no Supremo Tribunal de Justiça, instituições consideradas centrais para a organização e a fiscalização de futuras eleições.

O movimento político de Machado, Vente Venezuela, não participa diretamente dessas conversas. Mesmo assim, a líder opositora afirmou que não pretende impedir o processo e defendeu que a transição resulte em eleições livres, além de mudanças estruturais nas instituições do país.

Machado agradeceu a Trump e a Rubio pelo papel desempenhado na operação americana que resultou na captura de Nicolás Maduro, em janeiro. O ex-presidente venezuelano enfrenta acusações nos Estados Unidos relacionadas ao tráfico de drogas e à tortura, que ele nega.

A relação entre Machado e o governo americano, contudo, envolve diferenças sobre o futuro político da Venezuela. Washington tem apoiado negociações com Rodríguez, enquanto a opositora defende uma transformação mais ampla das instituições e a realização de eleições que permitam a escolha de um novo governo.

Retorno à Venezuela e relação com Delcy Rodríguez

Machado voltou ao país no domingo (25), depois de passar meses no exterior e enfrentar dificuldades para retornar. Ela havia deixado a Venezuela para receber o Prêmio Nobel da Paz de 2025, concedido em reconhecimento à sua atuação em defesa dos direitos democráticos.

Na eleição presidencial de 2024, Machado foi impedida de concorrer. A oposição apoiou Edmundo González Urrutia e divulgou atas eleitorais que, segundo seu levantamento, indicavam uma vitória expressiva do candidato. As instituições venezuelanas, entretanto, reconheceram Maduro como vencedor.

Após a captura de Maduro, o governo interino de Rodríguez passou a negociar com Washington medidas relacionadas à reorganização política e econômica do país. Trump também elogiou Rodríguez publicamente, apesar de manter contatos com Machado.

Durante a coletiva, a líder opositora evitou responder diretamente a perguntas sobre declarações anteriores do presidente americano. Em janeiro, Trump havia afirmado que ela não contava com apoio suficiente para assumir imediatamente o comando da Venezuela. Nesta semana, também sugeriu que o país poderia se tornar o 51º estado americano.

Machado, por sua vez, afirmou que a relação entre Venezuela e Estados Unidos deve ser baseada no respeito mútuo e em interesses compartilhados.

Oposição cobra libertação de presos políticos

A líder venezuelana defendeu que a transição inclua a libertação dos presos políticos, a criação de uma comissão da verdade, mudanças nas forças de segurança e um processo de justiça de transição para lidar com violações cometidas durante o período anterior.

Segundo a organização de direitos humanos Foro Penal, 322 presos políticos permaneciam encarcerados no país, e mais da metade não havia sido condenada. A entidade também informou que aproximadamente 11 mil pessoas estavam submetidas a outras restrições legais, como prisão domiciliar.

O governo venezuelano nega manter presos políticos. Delcy Rodríguez, por sua vez, afirmou nesta quinta-feira que mais de 9 mil pessoas haviam sido libertadas ou tiveram restrições legais retiradas no âmbito de uma lei de anistia limitada.

Machado ressaltou que a restauração da democracia exige mais do que a convocação de eleições: também seria necessário reformar instituições estatais e garantir condições para que a população possa participar livremente do processo político.

Machado defende transparência em contratos econômicos

Além das questões eleitorais, a opositora abordou os acordos econômicos firmados pelo governo interino com empresas interessadas nos setores de petróleo, gás e mineração. Ela defendeu contratos transparentes, licitações abertas e mecanismos de arbitragem internacional para proteger tanto investidores quanto a população venezuelana.

Machado criticou um contrato relacionado à empresa americana Blue Energy Partners, que envolve a exportação da produção de 17 campos de petróleo venezuelanos. Ela afirmou que não havia examinado o documento, mas avaliou que o acordo não refletia o nível de transparência esperado pela sociedade.

Apesar das críticas, Machado declarou que contratos assinados legalmente deverão ser respeitados, embora alguns possam ser renegociados sob novas condições.

A opositora também defendeu um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar a Venezuela a administrar sua dívida e responder às necessidades humanitárias do país.

A realização de eleições em 2027, portanto, permanece como uma previsão apresentada por Machado com base no cronograma que atribui aos Estados Unidos, e não como uma data oficialmente convocada. O avanço das negociações, as reformas institucionais e as garantias para a participação política serão determinantes para definir os próximos passos da transição venezuelana.

Comentários


bottom of page