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Governo brasileiro amplia ofensiva para trazer de volta fósseis de dinossauros espalhados pelo mundo

  • há 6 horas
  • 3 min de leitura
Governo brasileiro amplia ofensiva para trazer de volta fósseis de dinossauros espalhados pelo mundo
Divulgação
Brasil intensifica ofensiva para repatriar fósseis e patrimônios históricos levados ao exterior.

O Brasil ampliou a ofensiva diplomática e científica para recuperar fósseis de dinossauros e outros patrimônios naturais e culturais que atualmente estão espalhados por pelo menos 14 países. A mobilização envolve o governo federal, o Ministério Público, instituições científicas e pesquisadores brasileiros, em uma tentativa de combater o chamado colonialismo científico — prática marcada pela retirada de materiais históricos e paleontológicos do país sem o devido retorno para a ciência nacional.

A ação não se limita apenas aos fósseis. O trabalho também busca trazer de volta diversos bens históricos e culturais considerados fundamentais para a preservação da memória e da identidade brasileira. Dados do Ministério das Relações Exteriores apontam que existem mais de 20 negociações internacionais em andamento relacionadas à devolução desses patrimônios.

Os Estados Unidos lideram a lista de países com maior número de solicitações de devolução feitas pelo Brasil, totalizando oito pedidos. Em seguida aparecem Alemanha, Reino Unido, Itália, França, Suíça, Irlanda, Portugal, Uruguai, Japão, Espanha e Coreia do Sul.

A movimentação ganhou força nos últimos anos com a discussão sobre o impacto do colonialismo científico, prática que historicamente permitiu que países mais ricos explorassem recursos naturais e culturais de nações em desenvolvimento. No caso brasileiro, isso resultou na retirada de fósseis, peças arqueológicas e artefatos culturais, muitas vezes de forma irregular, deixando museus e centros de pesquisa nacionais sem acesso a materiais importantes para estudos científicos.

Uma das vitórias recentes ocorreu após um acordo firmado entre Brasil e Alemanha para o retorno do dinossauro Irritator challengeri ao Ceará. O fóssil, pertencente a uma espécie que viveu há cerca de 116 milhões de anos, estava em um museu alemão desde 1991 e havia sido retirado ilegalmente do território brasileiro.

Outro caso emblemático foi o retorno do Ubirajara jubatus, pequeno dinossauro que se tornou símbolo da luta pela repatriação de fósseis brasileiros. O material voltou ao país em 2023 e atualmente integra o acervo do Museu de Santana do Araripe, no Ceará. A devolução ocorreu após forte mobilização de pesquisadores e da população brasileira nas redes sociais, pressionando o museu europeu responsável pelo fóssil.

Além dos fósseis, o Brasil também obteve êxito na devolução do Manto Tupinambá, peça histórica indígena do século XVII que estava na Dinamarca. Já em fevereiro deste ano, 45 fósseis originais da Bacia do Araripe foram devolvidos pela Suíça.

Apesar dos avanços, algumas negociações ainda enfrentam resistência. Pedidos feitos à Espanha e à Coreia do Sul, por exemplo, acabaram rejeitados até o momento.

Especialistas destacam que o retorno desses patrimônios representa mais do que uma conquista científica. Segundo pesquisadores envolvidos no processo, a repatriação fortalece a soberania nacional, amplia o acesso da comunidade científica brasileira aos materiais e permite que a população tenha contato direto com parte importante da história natural e cultural do país.

A legislação brasileira determina, desde 1942, que fósseis pertencem à União e não podem ser comercializados livremente. Exportações só são autorizadas mediante permissão específica do Ministério da Ciência e Tecnologia e quando há vínculo comprovado com instituições brasileiras.

Estudos recentes apontam a dimensão do problema. Levantamentos científicos identificaram centenas de fósseis retirados irregularmente da Bacia do Araripe ao longo das últimas décadas. Grande parte desse material permanece em coleções estrangeiras, sem previsão de devolução.

A expectativa das autoridades brasileiras é ampliar as negociações internacionais e fortalecer mecanismos de fiscalização para impedir novas retiradas ilegais de patrimônios históricos e paleontológicos do país.
Fonte: AgBrasil

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Gazeta de Varginha

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