Haddad diz que Lula ainda não decidiu indicações para diretoria do Banco Central
gazetadevarginhasi
há 5 dias
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não tomou qualquer decisão sobre as indicações para a diretoria do Banco Central (BC), apesar de já ter recebido sugestões de nomes. Segundo Haddad, até o momento, nenhum convite formal foi feito pelo presidente.
— Eu posso atestar que o presidente não convidou ninguém ainda — afirmou o ministro em entrevista à BandNews.
Haddad explicou que apresentou ao presidente os nomes do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, e do economista Tiago Cavalcanti, professor da Universidade de Cambridge e da FGV-SP. De acordo com o ministro, a sugestão ocorreu há cerca de três meses e foi baseada em conversas prévias com ambos, além da avaliação de que os dois poderiam ser bem recebidos tanto pelo presidente da República quanto pela atual direção do Banco Central.
O ministro relatou ainda que, há algumas semanas, Lula informou que convocaria uma reunião com ele e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar do tema, mas o encontro ainda não aconteceu.
— Quando eu imaginei que o presidente poderia encaminhar para o senado as indicações eu levei a ele dois nomes que me parecem muito interessantes. Um deles é o Tiago Cavalcanti, e outro é meu secretário de Politica Econômica. E três semanas atrás, ele (Lula) disse para mim e para o Galípolo que ia nos chamar para conversar, mas ele não tomou a decisão — completou Haddad.
Desde então, segundo o ministro, o assunto deixou de avançar em razão de outras crises enfrentadas pelo governo federal, como os desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master e questões relacionadas ao crédito imobiliário.
Haddad também comentou as críticas públicas feitas por ex-diretores do Banco Central à possibilidade de escolha de nomes com ligação ao governo. Para ele, a reação foi “orquestrada” e “deselegante”, além de exagerar o risco de interferência política na instituição. O ministro criticou ainda a atuação de ex-dirigentes do BC, mencionando decisões tomadas no passado que, segundo sua avaliação, contribuíram para a desvalorização do câmbio e para o cenário econômico que antecedeu as últimas eleições.
Judiciário, arcabouço fiscal e Banco Master
Durante a entrevista, Haddad também fez críticas a decisões do Poder Judiciário que autorizam a exclusão de receitas próprias do Judiciário e do Ministério Público do cálculo das regras do novo arcabouço fiscal. Para o ministro, a medida compromete a lógica do regime fiscal recém-aprovado.
— Conceitualmente, do ponto de vista econômico, é uma decisão que não é boa para o arcabouço — afirmou. Segundo ele, esse tipo de decisão acaba driblando o objetivo central do novo modelo, que busca limitar o crescimento das despesas públicas de acordo com a evolução das receitas.
O ministro revelou ainda que discussões no Congresso Nacional sobre a proposta de autonomia financeira do Banco Central acenderam um alerta na equipe econômica em relação à situação do Banco Master. De acordo com Haddad, a tentativa de ampliar o valor das garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) sinalizou possíveis dificuldades no funcionamento da instituição.
— Quando começaram a discutir a PEC da autonomia financeira do BC e queriam aumentar o valor da garantia do FGC, aquilo me chamou a atenção. Colocamos o radar ligado na Fazenda, porque uma quebra de banco pode ter implicações tributárias severas — disse.
Por fim, Haddad afirmou que não sabe se houve falha de fiscalização por parte do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e declarou que nunca tratou diretamente do tema com ele.
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