Incerteza sobre tarifas de Trump derruba mercados e eleva tensão global
gazetadevarginhasi
2 de abr. de 2025
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Os mercados globais operam sob forte cautela nesta quarta-feira (2) diante da expectativa pelo anúncio oficial das novas tarifas comerciais do governo dos Estados Unidos. Apesar da promessa de Donald Trump de que este seria o “Dia da Libertação”, poucos detalhes foram divulgados, deixando investidores em estado de alerta.
As medidas tarifárias podem impactar diretamente os lucros das empresas, o crescimento econômico global, a inflação e até mesmo a política monetária do Federal Reserve. No início do ano, investidores apostavam em políticas pró-crescimento por parte do governo americano, mas foram surpreendidos por uma sucessão de declarações e ameaças de novas barreiras comerciais.
Mercados nervosos e incerteza sobre os impactos
A falta de clareza sobre o tamanho e o alcance das tarifas tornou difícil prever os impactos sobre a economia. Para Steve Sosnick, estrategista-chefe da Interactive Brokers, o cenário é imprevisível.
“Os riscos são enormes e ninguém sabe ao certo qual será o resultado. O diabo está nos detalhes, e esses detalhes ainda não foram revelados”, afirmou.
Diante da incerteza, os mercados reagem com volatilidade. O ouro, considerado um ativo seguro em momentos de crise, segue próximo de máximas históricas. As bolsas europeias registram quedas, assim como os índices futuros do S&P 500 e do Nasdaq. No Japão, o índice Nikkei atingiu seu nível mais baixo desde setembro.
O que esperar das novas tarifas?
Na terça-feira, a Casa Branca confirmou que Trump implementará novas tarifas ainda hoje, mas sem especificar quais produtos serão afetados ou a magnitude das taxas.
Segundo a porta-voz Karoline Leavitt, tarifas recíprocas entrarão em vigor imediatamente para países que impõem taxas sobre produtos americanos. Já uma tarifa de 25% sobre importações de automóveis começará a valer a partir de 3 de abril.
A principal dúvida entre economistas e investidores é se o governo adotará uma tarifa única para todas as importações ou se seguirá um modelo mais fragmentado. Para Sonu Varghese, estrategista macro global do Carson Group, essa incerteza dificulta a análise dos impactos.
“O ideal seria termos um número fixo para calcular as consequências. Mas temo que não teremos isso, ou que qualquer dado anunciado ainda passe por negociações”, avaliou.
Mercados em um ponto crítico
A tensão aumentou após o S&P 500 entrar em uma fase de correção no mês passado, ao registrar uma queda de 10% em relação ao seu pico recente. Para analistas, o momento é decisivo.
“Estamos em um ponto frágil. Dependendo do anúncio, podemos ver uma forte recuperação ou um colapso preocupante”, alertou Sosnick.
O Índice de Volatilidade Cboe, que mede a ansiedade dos investidores, disparou para 24,80 na segunda-feira, atingindo seu nível mais alto em mais de duas semanas. Na terça-feira, o indicador caiu para 22,77, mas segue elevado.
Para Mark Spindel, diretor de investimentos da Potomac River Capital LLC, o mercado está literalmente “prendendo a respiração” enquanto aguarda os desdobramentos. Ele prevê que o chamado “índice do medo” pode subir para 30, patamar historicamente associado a um alto grau de aversão ao risco.
Com o cenário ainda incerto, o anúncio de Trump pode desencadear uma nova onda de turbulência nos mercados globais.
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