Indústria brasileira desacelera no fim do ano, mas saldo de 2024 deve ser positivo, mostra IBGE
9 de jan. de 2025
2 min de leitura
Reprodução
A indústria brasileira perdeu ritmo no final de 2024, registrando uma queda de 0,6% em novembro, a segunda redução consecutiva, conforme dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados na quarta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, o setor está claramente desacelerando, com perdas disseminadas entre as diversas áreas da indústria.
Entre outubro e novembro, a produção recuou nas quatro principais categorias econômicas, com 19 dos 25 segmentos industriais apresentando queda. Os destaques negativos foram os setores de veículos automotores (-11,5%) e derivados de petróleo (-3,5%).
Macedo explicou que, nos últimos meses de 2024, houve uma queda nos níveis de confiança de empresários e consumidores, impactada por uma piora nas expectativas para o futuro. Ele acredita que esse movimento reflete o atual ciclo de aumento da taxa básica de juros (Selic). Embora o aperto monetário ainda não tenha impacto direto sobre a produção, ele afeta as perspectivas dos empresários.
Além disso, a desvalorização do real em relação ao dólar eleva os custos de produção, o que pode influenciar tanto as decisões empresariais quanto a demanda dos consumidores. A alta nos preços dos alimentos também reduz a renda disponível das famílias, fatores que podem contribuir para a perda de dinamismo no setor industrial.
Apesar da desaceleração no final do ano, o desempenho de 2024 foi positivo. Comparado a novembro de 2023, a indústria ainda cresceu 1,7%, marcando a sexta taxa positiva consecutiva. Nos primeiros 11 meses de 2024, o setor acumulou uma expansão de 3,2%, e no acumulado de 12 meses, a produção aumentou 3%.
A nova queda na produção industrial em novembro estava dentro das expectativas, corroborando a projeção de que a contribuição do setor para o Produto Interno Bruto (PIB) seria modesta, conforme avaliado por Daniel Xavier, economista-chefe do Banco ABC Brasil. Xavier manteve sua previsão de desaceleração do PIB, com um crescimento de 0,6% no quarto trimestre de 2024.
Com isso, a estimativa é que o PIB do ano feche com alta de 3,6%, desacelerando para cerca de 2% em 2025.
O C6 Bank, por sua vez, acredita que a indústria brasileira tenha fechado 2024 com uma expansão próxima a 3%, apontando que, apesar da contração em novembro, os dados indicam que o setor cresceu ao longo do ano, mesmo com a alta da Selic, segundo Heliezer Jacob, economista da instituição.
Comentários