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Instituto Mauá pesquisa uso de etanol hidratado em motores a diesel; tecnologia pode manter desempenho e ampliar combustível renovável no transporte pesado

há 20 minutos
2 min de leitura

Reprodução/ IA
Reprodução/ IA
O Instituto Mauá de Tecnologia, em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e a empresa Tupy, está desenvolvendo pesquisa que pode redefinir o uso de combustíveis renováveis no transporte pesado brasileiro. O estudo avalia a viabilidade de utilizar etanol hidratado em motores originalmente projetados para diesel, com alterações mínimas de estrutura. A iniciativa retoma investigações iniciadas na década de 1980, agora com sistemas de controle eletrônico modernos, e busca ampliar alternativas para operações que dependem fortemente de óleo combustível — máquinas agrícolas, caminhões e equipamentos fora de estrada.

Os resultados preliminares em bancada dinamométrica são promissores. Segundo o coordenador do projeto na UFSM, Mario Eduardo Santos Martins, o motor mantém níveis de torque e potência equivalentes ao funcionamento com diesel. "Isso valida o conceito de um motor a etanol para o transporte pesado", afirma. O diferencial é que não se trata de projetar e fabricar um propulsor totalmente novo, mas de demonstrar a flexibilidade da plataforma existente para operar com mais de um combustível, sem mudanças estruturais relevantes.

A escolha do etanol hidratado responde à realidade brasileira: o país possui cadeia produtiva consolidada, rede de abastecimento difundida e larga experiência com o combustível em veículos leves. Levar essa tecnologia para veículos de maior porte pode ampliar o mercado do biocombustível e contribuir para a descarbonização de setores hoje dependentes de derivados de petróleo. O estudo também considera a variação de preços como fator de competitividade e segurança de suprimento — quanto mais opções disponíveis, menor a vulnerabilidade a choques no mercado internacional.

O trabalho combina modelagem computacional tridimensional, testes laboratoriais e análises de emissões. As próximas etapas incluem refinamento da calibração no segundo semestre de 2026 e ensaios em condições reais de operação ao longo de 2027. O metanol, desde que produzido de forma sustentável, também é citado como possibilidade futura. Para Clayton Zabeu, professor do Instituto Mauá, o foco é viabilizar solução prática: "avaliar o que já existe, adaptar e aproveitar, em vez de recomeçar do zero". O caminho ainda tem fases pela frente, mas a direção está clara: mais verde, nacional e flexível.

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