‘Investimento não contempla necessidades da PCMG’, diz sindicato sobre R$ 4,3 mi em revitalização
13 de jan.
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fonte: o tempo
O anúncio do governo de Minas Gerais de um investimento superior a R$ 4,3 milhões destinado à Polícia Civil (PCMG), para a modernização dos espaços da Academia de Polícia Civil (Acadepol), não agradou de forma unânime a categoria. Segundo o Sindicato dos Escrivães e Oficiais Investigadores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindep/MG), há prioridades mais urgentes que deveriam receber recursos, como a defasagem salarial, a falta de efetivo e o sucateamento de unidades policiais em todo o estado.
Conforme divulgado pelo governo estadual, o valor será aplicado na revitalização da fachada do prédio principal da Academia de Polícia, na reestruturação de outros imóveis, na climatização das áreas de ensino e na reforma do ginásio. Para o presidente do sindicato, Marcelo Horta, no entanto, faltou um estudo mais aprofundado sobre as reais necessidades da instituição.
“Esse anúncio de investimentos não contempla as necessidades da Polícia Civil. Os valores anunciados são necessários, mas irrelevantes dentro da conjuntura atual, após mais de seis anos de abandono por esse mesmo governo. Além das estruturas físicas defasadas, é preciso lembrar que há quase 50% de defasagem salarial acumulada por perdas inflacionárias”, criticou.
Horta também destacou o déficit de mais de 6 mil policiais no efetivo da PCMG, que, segundo ele, não será resolvido pelos concursos em andamento. “Isso significa que estamos trabalhando dobrado e recebendo pela metade. Os concursos anunciados pelo governo sequer repõem os desligamentos ocorridos no mesmo período”, afirmou o dirigente sindical.
Outro ponto levantado pelo presidente do Sindep/MG é a necessidade de adequação da Polícia Civil à Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis (Lei nº 14.735/2023), que define normas gerais de funcionamento para as corporações em todo o país, incluindo estrutura organizacional, ingresso, progressão na carreira e diretrizes de atuação.
“Também não percebemos interesse em modernizar os métodos de trabalho e reestruturar a organização da Polícia Civil. Desde 2023 foi aprovada essa nova legislação nacional, moderna e menos burocrática, que permitirá maior eficiência do trabalho policial, e até hoje o estado de Minas não conseguiu se adequar a essa lei, o que traz prejuízos para a evolução institucional”, avaliou Horta. A reportagem informou que procurou a Polícia Civil para comentar as queixas e aguarda retorno.
Durante coletiva realizada na Academia de Polícia Civil, o governador Romeu Zema (Novo) destacou investimentos recentes feitos na instituição, citando a reforma ou inauguração de cerca de 200 unidades da PCMG, a renovação de aproximadamente 6 mil armamentos e a aquisição de mais de 1.600 novas viaturas.
“Em todo o estado, trocamos armamentos, que hoje são mais modernos, e estamos com mais de 1.600 novas viaturas. Isso tem contribuído muito para que Minas Gerais seja considerado um dos estados mais seguros do Brasil. É um trabalho que continua. Fico muito feliz com esse avanço aqui. Estamos em um prédio histórico, onde boa parte desse investimento será feita para preservar essas características”, afirmou o governador.
Já o vice-governador Mateus Simões (PSD) reforçou o compromisso do Executivo estadual com a renovação do efetivo das forças de segurança por meio de concursos públicos. “No dia 16 de janeiro começa uma nova turma de formação na Acadepol, com candidatos selecionados no último concurso. Temos o compromisso de nomear todos os aprovados, dentro das vagas disponibilizadas, e de abrir novos concursos sempre que houver vagas disponíveis”, explicou. Segundo ele, o mesmo processo ocorre na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros, com novas incorporações em andamento.
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