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Israel fecha Hebron após ataque a tiros deixar cinco feridos na Cisjordânia

há 3 horas
5 min de leitura


O governo de Israel determinou o fechamento da cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada, e ordenou que as forças de segurança se preparem para impor um bloqueio total ao território palestino após um ataque a tiros que deixou cinco pessoas feridas nesta sexta-feira (23). Dois palestinos apontados como autores dos disparos foram mortos por militares israelenses.

O ataque ocorreu nas proximidades de um posto de controle militar em um cruzamento perto de Hebron, no sul da Cisjordânia. Segundo as autoridades israelenses, os homens abriram fogo contra as forças de segurança. Cinco pessoas ficaram feridas, duas delas em estado crítico, de acordo com o serviço de emergência Magen David Adom.

Após o episódio, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, convocou uma reunião de emergência com autoridades militares e de segurança. Ele também ordenou que o Exército se preparasse para fechar toda a Cisjordânia ocupada, embora não estivesse claro quando a medida seria implementada integralmente nem por quanto tempo permaneceria em vigor.

O ataque aconteceu quatro dias antes das eleições legislativas israelenses, previstas para terça-feira (27), em um momento de tensão política e de intensificação das preocupações com a segurança.

Como ocorreu o ataque

De acordo com informações divulgadas pelas Forças de Defesa de Israel, dois homens armados atacaram um posto de controle militar na região de Hebron durante a manhã. Os suspeitos teriam utilizado um fuzil e uma pistola.

Os militares israelenses afirmaram que os dois homens foram mortos durante o confronto. As forças de segurança continuaram as buscas na região para verificar se outras pessoas poderiam estar envolvidas no episódio.

O tiroteio durou mais de 20 minutos, segundo informações divulgadas pelas autoridades israelenses e por equipes de emergência. Imagens registradas no local mostraram uma troca prolongada de tiros entre os homens armados e os soldados.

Socorristas relataram dificuldades para retirar os feridos enquanto os disparos ainda aconteciam. Entre as cinco pessoas atingidas, duas ficaram em estado crítico, enquanto as demais sofreram ferimentos de menor gravidade, segundo os serviços de emergência.

As autoridades não divulgaram inicialmente todos os detalhes sobre as vítimas. Informações posteriores indicaram que os cinco feridos eram israelenses, mas não esclareceram de imediato se todos eram militares ou se havia civis entre eles.

O Exército também informou ter encontrado uma quantidade significativa de munição no veículo utilizado pelos suspeitos. Segundo o comando militar, o material poderia estar relacionado à preparação de um ataque de maior dimensão.

O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-general Eyal Zamir, classificou o episódio como um ataque grave e afirmou que a reação dos militares impediu consequências potencialmente mais graves para civis e integrantes das forças de segurança.

Netanyahu anuncia medidas militares mais duras

Após a reunião com autoridades de segurança, Netanyahu afirmou que Israel intensificaria as operações contra grupos armados na Cisjordânia.

O primeiro-ministro declarou que as forças israelenses entrariam nos bairros de onde os suspeitos teriam saído, realizariam buscas de casa em casa e destruiriam estruturas que o governo considera ligadas a atividades armadas.

Netanyahu também afirmou que Israel estava preparado para uma operação militar de grande escala na região, que o governo israelense frequentemente denomina Judeia e Samaria.

O premiê responsabilizou o Hamas por planejar ataques contra israelenses, mas não apresentou publicamente, naquele momento, detalhes que comprovassem a participação direta do grupo no episódio de Hebron.

As forças de segurança também anunciaram operações nas residências dos suspeitos e em outras áreas próximas ao local do tiroteio. As investigações buscam esclarecer se os homens agiram sozinhos ou se receberam apoio, financiamento ou instruções de alguma organização.

O governo israelense já vinha mantendo as forças de segurança em estado de alerta elevado antes das eleições. O cenário inclui preocupações com possíveis ataques e o aumento da violência na Cisjordânia.

Ben-Gvir pede dissolução da Autoridade Palestina

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, aproveitou o episódio para defender medidas ainda mais severas contra os palestinos.

Em declarações feitas perto do local do ataque, o ministro pediu a dissolução da Autoridade Palestina, que administra partes da Cisjordânia, e defendeu restrições à circulação de palestinos pelas estradas do território.

Ben-Gvir afirmou que a segurança de israelenses, militares e colonos deveria prevalecer sobre a liberdade de circulação dos palestinos. Ele também defendeu a desmilitarização da Autoridade Palestina e a eliminação do que classificou como infraestrutura terrorista.

O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, também pediu uma operação militar de grande escala na região. Além disso, anunciou uma ordem para a demolição de estruturas palestinas consideradas ilegais nas proximidades do local do ataque.

As declarações aumentaram a pressão política por uma resposta militar mais abrangente. Entretanto, não havia indicação de que a Autoridade Palestina tivesse participado do ataque.

O Hamas elogiou o episódio, classificando-o como uma ação heroica, mas não reivindicou a autoria dos disparos. Até o momento das primeiras informações, nenhum grupo havia assumido formalmente a responsabilidade pelo ataque.

Fechamentos aumentam as restrições à circulação

O bloqueio de Hebron e a preparação para um possível fechamento total da Cisjordânia ampliam as restrições à movimentação dos palestinos na região.

Medidas semelhantes têm sido adotadas com maior frequência, incluindo o fechamento de portões e postos de controle que conectam localidades palestinas a estradas principais. Essas barreiras podem dificultar o deslocamento de moradores entre cidades e vilarejos.

As restrições, contudo, não afetam necessariamente todos os grupos da mesma maneira. Estradas utilizadas por israelenses, incluindo colonos que vivem em assentamentos na Cisjordânia, podem continuar abertas, embora também estejam sujeitas a atrasos e controles de segurança.

A cidade de Hebron apresenta uma configuração particularmente sensível. Partes do município são administradas pelas autoridades palestinas, enquanto outras áreas permanecem sob controle militar israelense, incluindo regiões onde vivem colonos israelenses.

O fechamento imposto após o ataque pode afetar a rotina dos moradores, o acesso a serviços e a circulação entre comunidades palestinas. A extensão e a duração das medidas dependerão das decisões das autoridades israelenses.

Ataque ocorre às vésperas das eleições em Israel

O episódio acontece a poucos dias das eleições legislativas israelenses de 27 de outubro, consideradas importantes para o futuro político de Netanyahu.

O primeiro-ministro tem procurado apresentar sua administração como capaz de garantir a segurança do país, especialmente após o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.

A nova ocorrência armada na Cisjordânia coloca novamente a segurança no centro do debate político israelense. Após o ataque, Netanyahu determinou o cancelamento de compromissos eleitorais previstos para sexta-feira, enquanto as autoridades concentravam esforços na resposta militar e na investigação.

O episódio também ocorre em meio ao aumento dos confrontos e dos ataques de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia, incluindo incidentes durante a temporada de colheita de azeitonas.

Com o fechamento de Hebron, a preparação para um bloqueio mais amplo e a possibilidade de novas operações militares, a região enfrenta mais uma escalada de tensão. Ainda não havia uma definição pública sobre a duração das restrições nem sobre a dimensão final da operação anunciada pelo governo israelense.

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