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Itália envia 500 militares para Milão após dois dias de tumultos; 220 dos 270 detidos são menores de idade

há 5 horas
2 min de leitura

Reprodução
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O governo da Itália confirmou o envio de 500 militares para a cidade de Milão, na região da Lombardia, com o objetivo de reforçar a segurança após duas noites consecutivas de confrontos entre manifestantes e forças de segurança. A medida foi anunciada pelo vice-primeiro-ministro, Matteo Salvini, nas redes sociais, logo após os distúrbios registrados no fim de semana, nos dias 17 e 18 de outubro. A função exata que os soldados exercerão ainda não foi detalhada, já que a segurança pública é tradicionalmente de responsabilidade do Ministério do Interior e das polícias. No entanto, a prática de destacar militares para pontos estratégicos de cidades existe na Itália desde pelo menos 2008.

Os acontecimentos chamaram a atenção por duas características marcantes: os protestos aconteceram fora do âmbito institucional, sem convocação de sindicatos, partidos políticos ou entidades representativas; e a esmagadora maioria dos envolvidos era muito jovem. Dos aproximadamente 270 manifestantes levados para depoimento na noite de domingo, pelo menos 220 eram menores de idade. O dado levantou questionamentos sobre o perfil dos participantes e as motivações que levaram adolescentes a sair às ruas em confronto direto com as autoridades.

O psicólogo e psicoterapeuta Matteo Lancini, da Universidade de Milão-Bicocca, analisou o fenômeno em declarações à CNN: "Nós vivemos em uma sociedade que propôs padrões em que agredir os outros, destruir e matar é algo normal, e depois fica chocada quando os jovens fazem isso". Ele completou dizendo que não é possível desvincular o comportamento dos jovens da violência que eles absorvem dos adultos e das redes sociais, mas ressaltou que isso não justifica nem isenta ninguém de responsabilidade pelos atos praticados. A análise coloca em evidência fatores sociais e culturais que podem estar na base da eclosão de violência entre os mais jovens.

Na tarde de segunda-feira (19), as ruas de Milão amanheceram em clima de tranquilidade, sem novos confrontos registrados. A calma, porém, não eliminou a inquietação: grupos já convocaram novas manifestações para os próximos dias. A presença reforçada das Forças Armadas passa a ser então a principal resposta do governo para conter a escalada, mas ainda não há garantia de que será suficiente para restabelecer a estabilidade plena. A população e as autoridades acompanham os desdobramentos com atenção, aguardando para ver se a medida terá efeito dissuasor ou se novos episódios estão por vir.

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