Japão recorre a inteligência artificial, drones e robôs-lobo para conter onda de ataques de ursos
há 22 horas
2 min de leitura
Wolf Kamuy Co., Ltd.
Os ataques de ursos no Japão alcançaram um nível sem precedentes. Entre abril de 2025 e março de 2026, foram registradas 13 mortes e mais de 220 pessoas feridas — número muito superior ao período anterior, quando três pessoas morreram e 82 ficaram feridas. Com a chegada do outono, estação em que os animais intensificam a busca por alimento, as autoridades mantêm alerta máximo e passaram a combinar tecnologia de ponta e métodos tradicionais para reduzir encontros perigosos.
A proliferação dos animais está ligada a múltiplos fatores. O êxodo rural reduziu a proteção natural das áreas habitadas; regras mais rígidas de caça e a diminuição de caçadores permitiram que a população de duas espécies nativas — urso-pardo de Hokkaido e urso-negro-asiático — ultrapassasse 57 mil exemplares. Às dificuldades naturais de alimentação somam-se os efeitos das mudanças climáticas, que atrasam e reduzem a disponibilidade de frutos e sementes, levando os ursos a se aproximarem de povoações em busca de lixo humano. Só no ano passado, foram registrados cerca de 50 mil avistamentos.
Diante do quadro, o governo japonês classificou os ataques como "grave ameaça à segurança pública" e anunciou flexibilização das regras de caça e um plano para reduzir a população de ursos a até 67% dos níveis atuais em diversas províncias até 2030. Paralelamente, regiões como Gunma, Toyama e Ishikawa investem em soluções não letais: câmeras com inteligência artificial capazes de identificar ursos e alertar autoridades em tempo real, sistema desenvolvido em parceria entre empresas de energia e comunicação. Em Hokkaido, foram instaladas bases de drones que decolam em até dez minutos após um avistamento e rastreiam os animais para orientar ações de afastamento.
Outra solução em expansão é o "Lobo Monstro", robô animatrônico movido a energia solar que imita o uivo do lobo-japonês, espécie extinta, para espantar predadores. Custando cerca de US$ 4 mil por unidade, as vendas dobraram diante da frequência de aparições em zonas urbanas. A empresa desenvolvedora prepara ainda uma versão miniatura portátil para campistas e pescadores, prevista para testes ainda neste ano.
Engenheiros e pesquisadores alertam, porém, que nenhuma tecnologia é solução definitiva. Os custos elevados e a complexidade de implantação em todo o território limitam o alcance em curto prazo. Por isso, iniciativas paralelas foram criadas, como o aplicativo "Kumamap", que consolida dados de avistamentos de múltiplas fontes em plataforma única acessível à população — já com cerca de 6 milhões de usuários e mais de 156 mil registros públicos. Pesquisadores também recomendam e utilizam cães especializados na condução de ursos para longe das áreas habitadas, método que vem apresentando resultados expressivos nas localidades onde é adotado.
Comentários