Jornalista e escritor Zuenir Ventura morre aos 95 anos em decorrência de pneumonia
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O jornalista e escritor Zuenir Ventura faleceu nesta terça-feira, dia 22 de setembro, aos 95 anos de idade. A morte aconteceu em sua residência, em consequência de uma pneumonia. Segundo a família, ele faleceu dormindo, sem sentir dor nem sofrimento. O corpo será velado na sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, e sepultado no Cemitério São João Batista, no mausoléu da própria instituição.
Zuenir nasceu em Além Paraíba, cidade do interior de Minas Gerais. Antes de se consagrar no jornalismo, exerceu diversas profissões: foi pintor de paredes, office-boy, jogador de basquete, arquivista e professor universitário. Teve como mestres nomes importantes da literatura e da cultura brasileira, como Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli. Começou na profissão de jornalista trabalhando no arquivo de um veículo de comunicação, convidado por um professor que reconheceu seu talento.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, produziu reportagens e livros que se tornaram referência. Em 1988, lançou a obra "1968 – o ano que não terminou", sobre os movimentos políticos e sociais daquele ano. O livro serviu de inspiração para produções televisivas e cinematográficas. No início de 1989, viajou até o Acre para cobrir o assassinato do ativista ambiental Chico Mendes. Da cobertura nasceram reportagens premiadas e uma história de vida: ele acabou assumindo a tutela do menino Genésio, então com 13 anos, principal testemunha do crime e ameaçado de morte. O jovem passou a viver com a família do jornalista até completar 18 anos.
Em 1994, publicou "Cidade Partida", obra que analisa a violência e a desigualdade social no Rio de Janeiro a partir da realidade da comunidade de Vigário Geral. O livro recebeu o Prêmio Jabuti, um dos mais importantes da literatura brasileira. Ao longo da trajetória, Zuenir também conquistou os dois maiores prêmios do jornalismo nacional: o Prêmio Esso e o Prêmio Vladimir Herzog. Em 2008, recebeu um reconhecimento especial das Nações Unidas por ser considerado um dos jornalistas que mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no Brasil ao longo de 30 anos.
Em outubro de 2014, foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras, ocupando a Cadeira nº 32, na sucessão do escritor Ariano Suassuna. Deixa a mulher, Mary Ventura, e os dois filhos: Mauro Ventura, também jornalista, e Elisa Ventura, editora.
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