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Três dias sem ajuda? Defesa Civil orienta brasileiros a preparar kit de sobrevivência

há 2 horas
5 min de leitura
Três dias sem ajuda? Defesa Civil orienta brasileiros a preparar kit de sobrevivência
FotoDivulgação/A Defesa Civil Nacional recomenda que as famílias mantenham um kit de emergência com água, alimentos, medicamentos e outros itens essenciais para garantir autonomia por até 72 horas. A orientação acompanha iniciativas internacionais de prevenção e busca preparar a população para situações como enchentes, temporais e interrupções de serviços essenciais.
Defesa Civil orienta famílias a manter kit de emergência para 72 horas; veja o que incluir
A Defesa Civil Nacional recomenda que as famílias brasileiras mantenham um kit de emergência com suprimentos suficientes para garantir a autonomia por até 72 horas, o equivalente a três dias. A orientação busca preparar a população para situações como enchentes, vendavais, temporais, interrupções no fornecimento de energia elétrica e água, além de ocorrências que possam dificultar ou atrasar a chegada das equipes de socorro.

A recomendação faz parte de uma estratégia de prevenção e está alinhada a iniciativas adotadas por outros países, especialmente na Europa, onde governos têm incentivado a população a manter reservas domésticas para enfrentar situações de emergência.

A orientação, entretanto, não significa que o Brasil esteja diante de um alerta imediato de guerra ou de um cenário de colapso generalizado. A proposta é fortalecer a cultura de prevenção e permitir que cada família tenha condições de atender às necessidades básicas durante os primeiros dias de uma eventual crise.
O que deve conter o kit de emergência de 72 horas?

Entre os itens recomendados estão água potável, alimentos não perecíveis, medicamentos de uso contínuo, materiais de primeiros socorros, produtos de higiene pessoal, lanterna, pilhas extras, carregador portátil e rádio AM/FM.

Também é importante manter cópias de documentos pessoais, receitas médicas, roupas, sacolas plásticas, embalagens impermeáveis e dinheiro em espécie. Esses materiais podem facilitar a organização familiar caso seja necessário deixar temporariamente a residência ou enfrentar interrupções nos serviços essenciais.

A reserva de água merece atenção especial. A referência apresentada é de dois litros por pessoa por dia. Dessa forma, cada morador deve contar com pelo menos seis litros para os três dias de preparação. Em uma residência com quatro pessoas, por exemplo, a quantidade necessária chega a 24 litros.

Na escolha dos alimentos, a recomendação é priorizar produtos que não dependam de refrigeração e que tenham preparo simples, como barras de cereal, frutas secas, biscoitos e alimentos enlatados.

As famílias também devem considerar necessidades específicas de seus integrantes. Quem possui bebês, idosos ou pessoas com deficiência precisa incluir fraldas, medicamentos e alimentação especial, conforme cada situação. Para quem tem animais de estimação, é importante reservar ração e outros produtos necessários aos cuidados dos animais.

Outro equipamento importante é o rádio portátil alimentado por pilhas ou baterias. Em situações de emergência, quando a internet e a rede elétrica podem apresentar falhas, o aparelho permite acompanhar comunicados e orientações oficiais.

Lanternas, baterias externas e carregadores portáteis também ajudam a manter condições básicas de iluminação e comunicação durante uma interrupção no fornecimento de energia.

União Europeia também recomenda preparação para 72 horas
A orientação brasileira acompanha uma tendência internacional de fortalecimento da preparação civil. Em março de 2025, a Comissão Europeia lançou a Estratégia da União de Preparação, que reúne 30 ações destinadas a ampliar a capacidade de resposta dos países diante de diferentes situações de crise.

O planejamento considera riscos relacionados a desastres naturais, emergências sanitárias, ataques cibernéticos e tensões geopolíticas.

Em novembro de 2026, a Comissão Europeia também publicou diretrizes voltadas à preparação de cidadãos e comunidades para enfrentar as primeiras 72 horas de uma emergência. A proposta é que a população consiga atender às necessidades básicas enquanto os serviços públicos organizam e mobilizam o apoio necessário.

As recomendações não estabelecem uma obrigação legal de manter estoques domésticos. O objetivo é orientar governos e comunidades a incentivar a preparação individual, incluindo reservas de água, alimentos, medicamentos, meios de comunicação e dinheiro em espécie.

Suécia recomenda autonomia por até uma semana
Na Suécia, a política de preparação doméstica prevê um período ainda maior. As orientações oficiais disponibilizadas pelo portal Krisinformation recomendam que as famílias tenham condições de se manter por pelo menos uma semana sem eletricidade, água corrente ou possibilidade de comprar alimentos.

A quantidade de água indicada varia entre três e cinco litros por pessoa diariamente. Para sete dias, isso representa uma reserva de 21 a 35 litros por morador.
Em uma família de quatro pessoas, o volume necessário pode variar entre 84 e 140 litros para garantir o abastecimento durante uma semana.

A diferença entre os períodos recomendados pelo Brasil e pela Suécia está relacionada às estratégias de preparação civil adotadas por cada país. A orientação sueca reforça a importância de as residências estarem preparadas para períodos prolongados de interrupção dos serviços essenciais.

Reino Unido também discute preparação da população
O tema da preparação para emergências ganhou repercussão no Reino Unido após declarações do chefe do Estado-Maior do Exército britânico, general Sir Roly Walker, sobre a necessidade de a população compreender os desafios relacionados à defesa e à segurança nacional.

Durante uma visita à guarnição de Catterick, em outubro, o militar mencionou a possibilidade de sacrifícios diante das necessidades de defesa do país.

Apesar da repercussão dessas declarações, é importante diferenciar as estratégias de defesa militar das recomendações de proteção civil. A orientação para manter um kit de emergência não representa uma ordem de mobilização militar nem uma previsão de conflito iminente.

A preparação doméstica é uma medida preventiva que também se aplica a situações comuns, como desastres climáticos, falta de energia, interrupções no abastecimento e dificuldades de acesso a serviços essenciais.

Defesa Civil Alerta permite receber avisos pelo celular
Além da preparação doméstica, o Brasil conta com o sistema Defesa Civil Alerta, que utiliza a rede de telefonia celular para enviar avisos à população que está em áreas de risco.

A tecnologia foi desenvolvida em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e as operadoras de telefonia. Os alertas podem aparecer na tela dos aparelhos acompanhados de aviso sonoro, interrompendo temporariamente o conteúdo que estiver sendo utilizado.

O serviço funciona em aparelhos conectados às redes 4G ou 5G e não opera quando o celular está em modo avião. Nos dispositivos compatíveis, a funcionalidade vem habilitada por padrão.

Prevenção começa dentro de casa
A principal orientação das autoridades é que a preparação para emergências faça parte da rotina das famílias, sem gerar preocupação desnecessária. O kit deve ser organizado de acordo com o número de moradores, as necessidades específicas de cada pessoa e as características da região onde vivem.

Também é importante verificar periodicamente os prazos de validade dos alimentos e medicamentos, substituir itens utilizados e manter os materiais armazenados em local de fácil acesso, conhecido por todos os integrantes da residência.

A recomendação de autonomia por 72 horas representa uma medida básica de prevenção. As experiências internacionais, especialmente a da Suécia, demonstram que ampliar esse período pode fortalecer a capacidade das famílias de enfrentar situações adversas e contribuir para a segurança coletiva.
Fonte: SociedadeMilitar

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