Sonhos e pressão: milhões de estudantes encaram o primeiro dia do Enem neste domingo
há 3 horas
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FotoDivulgação/Mais de 5 milhões de candidatos realizam neste domingo (8) a primeira etapa do Enem 2026. Na reta final, estudantes de diferentes realidades enfrentam a ansiedade e conciliam trabalho e preparação para conquistar uma vaga no ensino superior.
Candidatos intensificam preparação para o primeiro dia de provas do Enem 2026
Mais de 5 milhões de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2026 realizam, neste domingo (8), a primeira etapa de provas. Com a proximidade do exame, os candidatos enfrentam os últimos momentos de preparação e precisam decidir entre revisar os conteúdos já estudados ou tentar aprender novos assuntos antes da avaliação.
Para muitos estudantes, a expectativa vem acompanhada de ansiedade e pressão, principalmente pela importância do exame na definição dos próximos passos da vida acadêmica e profissional. A candidata Nina Aires relata que parte dessa cobrança vem dela mesma. “É uma pressão que a gente faz consigo mesmo, né? Porque, querendo ou não, é a nossa carreira”, afirma.
Na reta final, especialistas e educadores costumam recomendar que os estudantes priorizem o descanso, mantenham uma boa noite de sono e evitem sobrecarregar a rotina com novos conteúdos. Entretanto, essa realidade nem sempre é possível para quem precisa conciliar trabalho, estudos e outras responsabilidades.
Pré-vestibular social mantém estudantes na preparação até a noite
No Rio de Janeiro, às 21h, enquanto muitos candidatos já se preparavam para descansar antes da prova, um grupo de estudantes ainda permanecia concentrado nos estudos no Museu do Samba, localizado na Zona Norte da cidade, em uma das entradas do Morro da Mangueira.
O espaço abriga o Samba Educa, um pré-vestibular social que oferece preparação para estudantes que desejam ingressar no ensino superior. O projeto disponibiliza vagas voltadas principalmente a mulheres negras moradoras da região.
Entre os participantes está Eliel Nascimento, que destaca a importância dos estudos para transformar sua realidade e proporcionar melhores condições à família. “O meu sonho é ter uma condição de dar um suporte para a minha família, poder me desenvolver intelectualmente”, conta.
A rotina de quem participa do projeto exige dedicação e organização. A estudante Clarice Aparecida, por exemplo, divide o dia entre o trabalho e as aulas do cursinho. Ela trabalha como professora até o final da tarde e segue diretamente para o pré-vestibular, onde continua sua preparação.
“Meu dia começa umas 7h30. Acordo, tomo café e vou trabalhar. Dou aula até umas 17h30 e aí venho para cá direto. Vou fazer vestibular para música. Meu sonho”, relata.
Cultura do samba é incorporada à preparação para o Enem
Um dos diferenciais do Samba Educa está na metodologia de ensino, que utiliza elementos da cultura local para aproximar os conteúdos escolares da realidade dos estudantes. A proposta incorpora referências ao samba e ao carnaval nas diferentes disciplinas, aproveitando experiências e conhecimentos presentes na comunidade.
Segundo a coordenadora Barbara Santos, essa abordagem também pode representar uma vantagem na preparação para os exames, já que temas relacionados à cultura popular aparecem nas avaliações.
“A gente tem uma metodologia voltada para trabalhar a cultura do samba, a cultura do próprio carnaval dentro das disciplinas. Aliás, isso tem sido cobrado nos exames de pré-vestibular e acaba sendo uma vantagem para eles usarem a própria vivência deles da comunidade”, explica.
Em 2026, o projeto conta com 50 estudantes inscritos. O perfil dos participantes acompanha uma característica observada no cenário nacional do Enem: segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mulheres e pessoas que se declaram pretas ou pardas representam a maioria dos candidatos.
Apesar das dificuldades enfrentadas durante a preparação, os estudantes mantêm a expectativa de conquistar bons resultados. Ana Beatriz destaca o apoio recebido dos professores e a confiança de que o esforço realizado ao longo do ano poderá trazer oportunidades.
“A gente sabe que é muito complicado, tem as dificuldades da vida, as adversidades. Os professores são muito bons, e eu creio que este ano vai ser um ano de coisas boas para a gente”, afirma.
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