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Lula e Flávio Bolsonaro ajustam estratégias para o último debate presidencial antes do segundo turno

há 1 hora
6 min de leitura
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram a preparação para o último debate presidencial televisionado antes do segundo turno das eleições de 2026. O encontro será realizado nesta sexta-feira (23), nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, a partir das 21h20, depois do Jornal Nacional, com mediação do jornalista César Tralli.

As duas campanhas consideram o confronto uma oportunidade importante para conquistar eleitores indecisos e convencer quem ainda não definiu o voto. Depois do primeiro debate entre os candidatos, realizado pela TV Bandeirantes no domingo (18), aliados dos presidenciáveis avaliaram que o excesso de ataques e provocações prejudicou a discussão de propostas e desviou a atenção de temas considerados prioritários.

A estratégia de Flávio é adotar uma postura menos agressiva, apresentar propostas com mais clareza e responder de maneira mais direta aos questionamentos de Lula. Já o presidente pretende evitar que o adversário dite o ritmo do confronto e quer concentrar sua participação na defesa do governo, na apresentação de medidas e na comparação entre os projetos políticos.

O cenário eleitoral aumenta a importância do debate. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) apontou empate entre os candidatos, com 50% das intenções de votos válidos para cada um. A disputa chega, portanto, à reta final sem um favorito definido pelo levantamento.

Flávio tenta reduzir a rejeição e dar mais espaço às propostas

A equipe de Flávio Bolsonaro avalia que o desempenho do senador no debate da Band teve aspectos positivos, mas também identificou pontos que precisam ser corrigidos antes do último confronto.

Aliados consideraram que o candidato conseguiu se impor em alguns momentos, mas que o tom excessivamente provocativo e a concentração em ataques deixaram suas propostas em segundo plano. A preocupação é evitar que esse comportamento aumente sua rejeição e afaste eleitores moderados.

Por isso, a preparação passou a enfatizar temas como economia popular, segurança pública, proteção às mulheres, saúde, custo de vida e manutenção de programas sociais. A intenção é apresentar respostas mais consistentes sobre os problemas cotidianos da população e demonstrar como as propostas do candidato poderiam ser colocadas em prática.

A campanha também pretende explorar assuntos ligados à infraestrutura e à economia, áreas nas quais Flávio recebeu auxílio de integrantes de sua equipe e aliados políticos durante os ensaios.

O senador contou com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), especialmente na preparação de respostas sobre infraestrutura. O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) também contribuiu com a discussão de temas relacionados à segurança pública.

A preparação foi mais extensa do que a realizada antes do debate anterior. Flávio reservou os últimos dias para treinar com auxiliares e marqueteiros, além de reduzir compromissos públicos para se concentrar no confronto.

A equipe também considera importante que o candidato demonstre domínio dos assuntos e apresente respostas objetivas, sem depender exclusivamente de embates pessoais com o adversário.

Apesar da mudança de tom, Flávio ainda pretende utilizar o espaço do palco para reforçar sua presença no confronto. Entretanto, as regras estabelecidas pela Globo restringem a movimentação dos candidatos enquanto o adversário estiver falando.

Lula quer manter o controle do debate e defender seu governo

A preparação de Lula tem como um dos principais objetivos impedir que provocações de Flávio o tirem do foco. Aliados do presidente avaliaram que, no debate da Band, o petista demonstrou irritação em alguns momentos e acabou dedicando parte de sua participação a responder aos ataques do adversário.

A movimentação de Flávio pelo palco, inclusive quando se posicionou atrás de Lula enquanto o presidente falava, foi apontada como um dos fatores que contribuíram para o desconforto da equipe petista. A presença de adversários políticos na plateia e as manifestações durante o confronto também foram citadas por aliados como elementos que prejudicaram a concentração do presidente.

Para o debate final, Lula pretende adotar uma postura mais propositiva, defender os resultados de seu governo e apresentar medidas voltadas à população. A campanha quer evitar que o confronto seja dominado por acusações e busca ampliar o espaço para propostas que possam atrair eleitores indecisos.

Entre os assuntos que podem aparecer estão políticas sociais, custo de vida e iniciativas econômicas recentes, além de projetos para um eventual quarto mandato. A estratégia inclui reforçar a comparação entre as propostas do PT e as defendidas pelo candidato do PL.

A equipe também prepara Lula para responder a perguntas relacionadas ao filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e à empresária Roberta Luchsinger, investigada em um caso que também envolve o filho do presidente. O tema foi levantado no debate anterior e pode voltar a ser explorado por Flávio.

No confronto da Band, Lula afirmou que a situação envolvendo Roberta Luchsinger deveria ser tratada pela Polícia Federal. A campanha agora busca evitar que questionamentos sobre investigações e acusações ocupem todo o espaço destinado à discussão política.

O presidente se preparou ao longo da quinta-feira (22), com a participação de aliados e integrantes de sua equipe. Entre os nomes envolvidos estão o chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira; o senador Camilo Santana (PT-CE); o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT); e o senador eleito Rui Costa (PT-BA).

A equipe pretende orientar Lula a manter a concentração, responder às perguntas sem se deixar conduzir pelas provocações e aproveitar as oportunidades para destacar as realizações do governo.

Pablo Marçal sai da preparação de Flávio, e Tarcísio assume papel de destaque

Uma das mudanças na estratégia de Flávio Bolsonaro foi a participação mais direta de Tarcísio de Freitas na preparação para o debate. O governador paulista passou a ocupar um espaço de destaque nos ensaios, enquanto o influenciador Pablo Marçal, que havia auxiliado o senador antes do confronto da Band, foi afastado dessa função.

Integrantes da campanha avaliam que o estilo de Marçal pode ter contribuído para uma postura excessivamente confrontadora. O influenciador ficou conhecido por provocar adversários durante a eleição municipal de São Paulo em 2024, marcada por episódios de tensão e desrespeito às regras dos debates.

Segundo aliados, a participação de Marçal na preparação anterior não produziu o resultado esperado. A equipe de Flávio agora busca uma postura mais centrada, com menos ironias e mais explicações sobre a viabilidade das propostas.

A mudança também procura evitar comportamentos que possam ser interpretados como desrespeitosos em relação à idade de Lula, que tem 80 anos. No debate da Band, a decisão de Flávio de se posicionar atrás do presidente enquanto ele falava provocou críticas e se tornou um dos episódios mais comentados do confronto.

A equipe petista, por sua vez, pretende aproveitar as restrições de movimentação estabelecidas pela Globo para evitar que situações semelhantes se repitam.

Regras da Globo restringem a movimentação dos candidatos

O debate desta sexta-feira terá quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais. Três blocos terão temas definidos, enquanto o último será de tema livre.

No primeiro bloco, os candidatos participarão de rodadas de perguntas relacionadas às regiões brasileiras e a um tema nacional. Cada um terá três minutos por rodada, distribuídos entre pergunta, resposta, réplica e tréplica.

No segundo e no terceiro blocos, Lula e Flávio poderão escolher temas apresentados em um telão para formular suas perguntas. A dinâmica de tempo seguirá o mesmo princípio dos blocos anteriores.

No quarto bloco, dedicado a tema livre, cada candidato terá oito minutos para falar, sem limite de intervenções, e poderá dividir o tempo como considerar mais adequado.

A circulação pelo palco também terá regras específicas. Nos três primeiros blocos, o candidato que estiver com a palavra poderá se movimentar pelo cenário, enquanto o adversário deverá permanecer junto ao próprio púlpito. No último bloco, os dois poderão circular, mas apenas pelo respectivo lado do palco.

A restrição foi incorporada após reclamações da campanha de Lula sobre a postura de Flávio no debate anterior. A intenção é impedir que a movimentação de um candidato atrapalhe a fala do outro ou interfira na compreensão do público.

A emissora também fará checagem das declarações durante o confronto. Uma equipe de mais de 30 jornalistas trabalhará na verificação das informações, com publicações na página Fato ou Fake. O trabalho continuará pela madrugada, em conjunto com outros veículos do grupo de comunicação.

As verificações não serão exibidas diretamente na tela da televisão, mas poderão ser consultadas na internet. A medida ganhou importância depois do debate da Band, no qual os candidatos trocaram acusações sem que os mediadores realizassem uma checagem simultânea das afirmações.

Último confronto antes do segundo turno

O debate da Globo será a última oportunidade de confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro na televisão antes da votação de domingo (25). Com a disputa acirrada, as campanhas esperam que a apresentação de propostas, o controle das reações e a capacidade de responder aos questionamentos tenham peso na decisão dos eleitores.

Para Flávio, o desafio é demonstrar preparo e reduzir a percepção de agressividade, sem abandonar os ataques políticos que considera importantes. Para Lula, a prioridade é não se deixar levar pelas provocações e aproveitar o espaço para defender seu governo e apresentar propostas para um eventual novo mandato.

As duas equipes também pretendem explorar pontos vulneráveis do adversário, especialmente em temas ligados à economia, aos programas sociais e a questionamentos sobre investigações. O formato da Globo, com temas definidos e limites para a movimentação no palco, deverá reduzir parte das situações que marcaram o debate anterior.

O resultado do confronto dependerá, entre outros fatores, de como cada candidato conseguirá equilibrar críticas, respostas e propostas diante de um eleitorado que ainda pode mudar de posição na reta final da campanha.

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