PF encontra sala secreta com máquina de contar dinheiro em hangar usado por empresas de Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro
há 7 horas
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A Polícia Federal (PF) encontrou uma sala secreta em um hangar no Aeroporto Internacional de Brasília utilizado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No local, os agentes localizaram uma máquina de contar cédulas, malas vazias e uma estrutura preparada para o armazenamento de valores. Não havia dinheiro em espécie no compartimento durante a inspeção.
A descoberta ocorreu no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A PF apura se a estrutura encontrada poderia ter sido utilizada para guardar e movimentar dinheiro vivo.
A existência do compartimento foi revelada após uma denúncia anônima que levou os investigadores a retornar ao hangar, em agosto deste ano. O local já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão da própria Polícia Federal.
Porta reforçada estava escondida atrás de painel
Imagens obtidas pela TV Globo mostram que a entrada da sala ficava escondida atrás de um painel de madeira. Atrás da estrutura, os policiais encontraram uma porta metálica robusta, aparentemente blindada, que dava acesso ao espaço reservado.
De acordo com os registros da investigação, os agentes precisaram utilizar força para acessar o compartimento. Depois da abertura de uma segunda porta, foi identificada uma área interna organizada para o armazenamento seguro de valores.
No interior da sala, havia prateleiras, malas vazias, uma máquina de contar dinheiro e divisórias gradeadas. Na avaliação dos investigadores, as características do ambiente são compatíveis com uma estrutura destinada à guarda e à movimentação de numerário.
Embora nenhum valor em espécie tenha sido encontrado durante a diligência, a Polícia Federal considera que os vestígios justificam o aprofundamento das apurações. Os equipamentos e demais elementos recolhidos deverão passar por análises periciais.
A defesa de Willer Tomaz confirmou a existência do espaço, chamado de “sala-cofre”, mas negou qualquer utilização irregular. Segundo os advogados, a estrutura integra as operações de empresas de transporte de valores que são clientes das companhias de aviação ligadas ao advogado.
Em nota, a defesa argumentou que o transporte aéreo de dinheiro exige procedimentos específicos de segurança, controle e custódia. Por esse motivo, afirmou que ambientes protegidos, malotes e máquinas de contagem de cédulas são compatíveis com a atividade comercial desenvolvida pelas empresas.
Os representantes do advogado classificaram como “fantasiosa e beira o ridículo” a insinuação de que o compartimento seria utilizado para armazenar ou contar dinheiro de origem ilícita. Também criticaram a interpretação dos investigadores e disseram que atribuir caráter criminoso aos equipamentos, sem provas, seria uma tentativa de criar suspeitas sem fundamento.
Operação apreendeu quatro aeronaves
Willer Tomaz foi um dos alvos da operação policial. Durante as diligências realizadas em agosto, os agentes apreenderam quatro aeronaves pertencentes a empresas do advogado e recolheram documentos relacionados às atividades de aviação.
Entre os materiais analisados estão listas de passageiros, diários de bordo e outros registros que podem ajudar a identificar quem utilizou os aviões e helicópteros e a verificar a movimentação das aeronaves ao longo do período investigado. Os veículos também eram disponibilizados para serviços de táxi aéreo.
Na residência de Tomaz, os policiais encontraram outra máquina de contar dinheiro. A investigação também incluiu diligências em uma propriedade rural do advogado, localizada em Planaltina de Goiás, onde foram recolhidos equipamentos que armazenavam gravações de câmeras de segurança.
O objetivo dos investigadores é examinar os registros e outros vestígios para esclarecer a movimentação de pessoas, veículos e bens nos locais relacionados à apuração.
A Operação Sem Desconto investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial associadas a um suposto esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. A investigação envolve suspeitas de que recursos provenientes de fraudes contra aposentados tenham sido movimentados por meio de estruturas financeiras e logísticas.
Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro são investigados em outro inquérito
Além da investigação relacionada à Operação Sem Desconto, Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro são alvos de outro inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Essa segunda apuração investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas a movimentações financeiras e à utilização de plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets.
Durante a investigação conduzida inicialmente pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul, os agentes tiveram acesso a dados telemáticos de Tomaz e identificaram e-mails que indicariam que Flávio Bolsonaro havia sido cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, pertencente ao advogado.
O caso foi encaminhado ao STF em 8 de outubro em razão do foro especial do senador. A Procuradoria-Geral da República (PGR) analisou os indícios e se manifestou favoravelmente à abertura da investigação.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz são amigos e afirmam não manter negócios irregulares entre si. O senador também solicitou acesso ao inquérito relacionado às apurações contra o advogado.
A descoberta da sala-cofre, entretanto, está vinculada à investigação da Operação Sem Desconto, que também apura suspeitas de irregularidades envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT-MA). A existência do compartimento e dos equipamentos não comprova, por si só, que tenham sido utilizados em atividades criminosas.
A Polícia Federal pretende aprofundar a análise dos elementos encontrados para esclarecer a finalidade do espaço e verificar se há relação entre a estrutura, a movimentação de dinheiro em espécie e os fatos investigados.
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