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Líder de seita Paul Mackenzie é condenado a 200 anos de prisão; 190 crianças entre as 191 vítimas fatais

há 55 minutos
2 min de leitura

Reprodução/ IA
Reprodução/ IA
O autoproclamado pastor Paul Mackenzie, fundador da Igreja Internacional das Boas Novas, foi condenado nesta sexta-feira (6) a 200 anos de prisão pelo assassinato de 191 pessoas — das quais 190 eram crianças. A sentença, proferida no Tribunal Superior de Mombaça, foi dividida em duas partes: 100 anos pelas mortes provocadas por jejum forçado e outros 100 anos por homicídios diretos. Mais de duas dezenas de pessoas envolvidas também foram julgadas no processo.

A tragédia teve início quando Mackenzie convenceu centenas de seguidores a abandonar suas casas e se mudar para a Floresta de Shakahola, no leste do Quênia. Pregava que o mundo acabaria em agosto de 2023 e que o jejum extremo era o caminho para encontrar Deus e alcançar a salvação. A ordem era cruelmente planejada: as crianças deveriam morrer primeiro, seguidas pelos jovens e pelas mulheres. Os homens deveriam permanecer vivos o tempo suficiente para enterrar os corpos antes de também falecerem.

Ninguém podia sair. Guardas armados controlavam a entrada e a saída, impedindo que os seguidores buscassem socorro. As crianças eram imobilizadas e privadas de comida; quem tentava comer ou fugir era punido com severidade. Mensagens recuperadas do telefone de Mackenzie — incluindo conversas no WhatsApp — provam que ele coordenou a mudança e orientou os seguidores antes de deixarem as cidades. A juíza Diana Kavedza destacou que os ensinamentos religiosos foram deliberadamente usados como ferramenta de dominação e morte, não de fé.

O caso chocou o Quênia e o mundo por sua frieza e escala. De todas as vítimas, apenas uma não era criança. O relatório do Senado queniano classificou os acontecimentos como uma das maiores tragédias provocadas por manipulação religiosa da história recente. A condenação não devolve as vidas perdidas, mas estabelece um marco: nenhuma crença, por mais radical que se apresente, justifica tirar a vida de quem não tem defesa — especialmente de crianças.

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