Setor de carne bovina negocia cota própria de até 200 mil toneladas nos EUA; rebanho americano é o menor desde 1951
há 44 minutos
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Reprodução/ IA
A indústria brasileira de carne bovina discute a criação de uma cota própria de exportação para os Estados Unidos, com volume estimado entre 100 mil e 200 mil toneladas por ano. A ideia foi debatida nos bastidores da 65ª Conferência Anual do Conselho de Importadores de Carne dos EUA (MICA), realizada no Arizona, e busca dar previsibilidade ao acesso brasileiro ao mercado americano. A proposta ainda não foi formalizada nem apresentada ao governo norte-americano; trata-se de uma alternativa em estudo pelo setor num momento em que os dois lados têm motivos para aproximar-se.
Atualmente, o Brasil não possui cota individual de fornecimento de carne bovina aos EUA. O país faz parte de um grupo de exportadores que compartilham o mesmo volume destinado a nações sem reservas específicas. Mesmo assim, já é o principal fornecedor de carne para hambúrgueres dos Estados Unidos, atendendo à demanda por cortes magros usados na indústria de processamento. Do lado americano, a necessidade de ampliar fontes de abastecimento é urgente: o rebanho nacional iniciou 2026 com 86,2 milhões de cabeças, o menor número desde 1951, e o número de matrizes também é o menor da história. A consequência direta é pressão sobre os preços, projetados para subirem 8,7% neste ano — bem acima da inflação geral dos alimentos.
O cenário cria oportunidade, mas também exige cautela. Os compradores americanos demonstram interesse, mas buscam preços bastante competitivos, em alguns casos abaixo das referências internacionais. Por isso, o setor brasileiro avalia que não basta vender mais: é preciso garantir condições comerciais que permitam planejamento e remuneração adequada aos frigoríficos. A estratégia é posicionar o Brasil como fornecedor complementar, não concorrente da produção local — suprindo o que os EUA não conseguem produzir em quantidade, sem disputar os mercados de cortes nobres.
O governo brasileiro acompanha o processo com três eixos de ação: maior previsibilidade nas regras de acesso, aprofundamento do diálogo técnico com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e intercâmbio de informações entre importadores e exportadores. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Billi, defendeu que a estabilidade nas relações comerciais é essencial para o planejamento das empresas e para a eficiência de toda a cadeia de abastecimento. A cota própria não é só número — é garantia de que o produtor brasileiro pode contar com mercado, e o consumidor americano pode contar com oferta.
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