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Missão Artemis II entra na fase final com treinamento extremo e nave compacta para viagem lunar

  • gazetadevarginhasi
  • há 48 minutos
  • 3 min de leitura
Reprodução
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Mais de meio século depois da última vez em que seres humanos estiveram próximos da Lua, a missão Artemis II se prepara para inaugurar um novo ciclo da exploração espacial. Antes de deixarem a Terra, porém, os quatro astronautas escalados enfrentam uma rotina rigorosa, marcada por treinos exaustivos, espaços extremamente reduzidos e a exigência absoluta de precisão, sem qualquer margem para erro.

Durante cerca de 10 dias, a tripulação viverá confinada na cápsula Orion, um módulo com apenas 9 metros cúbicos, volume comparável ao de duas vans pequenas. O ambiente limitado impõe uma coreografia precisa: cada gesto, deslocamento e procedimento é planejado, repetido e testado inúmeras vezes, considerando que a nave chegará a até 400 mil quilômetros da Terra, distância que elimina a possibilidade de ajuda imediata em caso de falha.

Após a exibição da reportagem do Fantástico no último domingo (1º), a NASA anunciou o adiamento da missão para o mês de março, depois que técnicos identificaram um vazamento de hidrogênio líquido durante um teste de rotina do sistema.

Desde 2023, os astronautas participam de treinamentos em simuladores que reproduzem fielmente as condições internas da Orion. Nesses ambientes, eles aprendem a executar tarefas básicas, como alimentação e descanso, além de operar sistemas vitais da nave e responder a situações críticas. Entre os cenários simulados está a perda total de comunicação com a Terra, uma ocorrência considerada inevitável, já que a trajetória da missão inclui a passagem pelo lado oculto da Lua, onde não há contato por rádio com o controle da NASA.

“Estamos construindo a confiança necessária para apoiar uns aos outros”, afirmou um dos astronautas durante o treinamento, destacando que a cooperação entre os membros da equipe é tão essencial quanto o funcionamento da tecnologia embarcada.

A preparação da Artemis II vai além da cápsula espacial. A rotina inclui voos em jatos supersônicos, estudos de geologia em regiões de clima severo e exercícios prolongados em tanques de água profunda, utilizados para simular a microgravidade e as limitações de movimento impostas pelos trajes espaciais.

Essas atividades buscam avaliar resistência física, capacidade de decisão sob pressão e controle emocional em ambientes adversos. A intensidade do preparo reflete um princípio central da missão, frequentemente citado pelos próprios astronautas: não há espaço para improvisações.

Na semana passada, os quatro integrantes da missão iniciaram oficialmente o período de quarentena, procedimento padrão em voos tripulados para evitar que doenças sejam levadas para o interior da nave. Em um ambiente fechado como a Orion, até uma infecção simples pode comprometer o cronograma, os sistemas da missão e a segurança da tripulação.

Paralelamente, o foguete SLS, com quase 100 metros de altura, encontra-se posicionado na plataforma para os testes finais. A previsão da NASA é realizar o lançamento a partir do próximo domingo, dia 8, dependendo da conclusão das verificações técnicas.

Ao longo dos 10 dias de voo, a Orion seguirá uma trajetória semelhante a um “8” no espaço. No ponto mais distante, a nave alcançará cerca de 7 mil quilômetros além da Lua, superando a marca registrada pela Apollo 13 e estabelecendo um novo recorde de distância para uma missão tripulada.

O trecho mais delicado ocorre quando a cápsula passa pelo lado oculto do satélite natural. Nesse momento, o sinal de rádio com a Terra é completamente interrompido, deixando os quatro astronautas isolados, sem comunicação externa, até que a nave volte a uma posição visível.

A Artemis II é resultado direto do sucesso da Artemis I, lançada quatro anos antes, que comprovou a capacidade da Orion de percorrer os aproximadamente 385 mil quilômetros até a Lua e retornar à Terra sem tripulação a bordo. Aquela missão se estendeu por quase um ano e funcionou como um ensaio geral para o retorno humano à órbita lunar.

Especialistas apontam que o programa Artemis representa mais do que exploração pontual. Para eles, marca o início de uma fase em que a humanidade passa a estabelecer presença contínua fora da órbita terrestre. Como resumiu um ex-comandante da Estação Espacial Internacional: “Apollo era só o começo; agora, estamos entrando na fase de ocupar o espaço”.

Do treinamento ao lançamento, a Artemis II exige preparo físico, domínio técnico e equilíbrio psicológico. Em cada detalhe, a missão impõe o mesmo desafio aos astronautas: executar tudo com precisão absoluta. Se o cronograma for cumprido, o silêncio lunar, mantido por cinco décadas, será quebrado novamente, abrindo caminho para o próximo capítulo da exploração humana.

Gazeta de Varginha

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