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Mulher relata ter sido infectada com HIV pelo namorado em RO; homem é condenado e volta a ser preso

há 7 minutos
3 min de leitura
Foto: Arquivo Pessoal/Vítima
Foto: Arquivo Pessoal/Vítima


Uma mulher identificada relatou ter vivido o que descreve como “o momento mais triste e mais difícil” de sua vida após descobrir que havia sido infectada pelo vírus HIV durante um relacionamento. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO), a transmissão teria sido intencional e o então namorado dela, o dentista Jean José Dunga de Oliveira, de 41 anos, é acusado de ter infectado outras mulheres.

Moradora de Porto Velho, mantinha uma rotina ativa de exercícios físicos quando começou a apresentar febre, dores intensas e um cansaço que não conseguia explicar. Em seguida, passou a ter infecções que não melhoravam mesmo com antibióticos, além de dores no corpo, vermelhidão, coceira e dor de cabeça.

Durante o período em que estava doente, Jean teria dito que poderia prescrever um antibiótico para ela e que não seria necessário contar à família que a infecção persistia. A atitude, segundo ela, despertou uma desconfiança. Com a continuidade dos sintomas, ela decidiu fazer exames para descartar a possibilidade de uma infecção sexualmente transmissível e recebeu o diagnóstico positivo para HIV.

Naquele momento, ainda não sabia que Jean já era investigado pelo Ministério Público. Ao procurar atendimento com uma infectologista, descobriu que o nome do antigo namorado coincidia com o de um homem que já era alvo das autoridades. Segundo ela, foi então que percebeu que poderia ser mais uma vítima.

O MP-RO afirma que Jean era investigado havia cerca de quatro meses e já respondia a uma ação penal envolvendo outras três mulheres. O órgão informou que recebeu relatos de pelo menos quatro vítimas e considera possível que existam outras mulheres que ainda não tenham sido diagnosticadas ou procurado as autoridades.

A denúncia do Ministério Público aponta que Jean teria conhecimento de seu diagnóstico de HIV havia cerca de dez anos e não teria aderido ao tratamento antirretroviral. O órgão levantou a hipótese de que ele teria deixado de se tratar com a intenção de transmitir o vírus às mulheres com quem mantinha relacionamentos. Essa acusação é objeto dos processos que tramitam na Justiça.

“Além de eu estar com uma doença incurável, fui contaminada de forma intencional, ou seja, de forma criminosa, por uma pessoa que havia usufruído de toda intimidade da minha casa e família”, relatou a vítima. Ela também afirmou que a infecção provocou sofrimento para pessoas próximas. “Quando fui infectada pelo Jean, ele não adoeceu somente a mim, ele adoeceu uma família inteira”, disse.

A mulher procurou o Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) do Ministério Público de Rondônia em 28 de maio. O espaço oferece atendimento especializado e sigiloso a vítimas de violência. Segundo o MP-RO, os relatos contribuíram para a prisão de Jean em 10 de junho.

A vítima afirmou que terminou o relacionamento em 30 de abril e que, antes da prisão, Jean teria sido visto saindo com outras duas mulheres. Ela ressaltou que não poderia afirmar que elas eram namoradas, mas demonstrou preocupação com a possibilidade de novas vítimas.

O MP-RO acusa Jean de lesão corporal gravíssima e perigo de contágio de doença grave. Em relação a duas mulheres, o órgão também apresentou acusação de estupro. O Ministério Público pediu ainda que o réu seja responsabilizado pelos custos médicos e psicológicos das vítimas e pelos gastos gerados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O primeiro processo, relacionado a esse caso, terminou em 24 de agosto com a condenação de Jean a cinco anos de prisão em regime semiaberto. Ele também foi condenado a pagar R$ 50 mil de indenização à vítima e ainda pode recorrer. Outros dois processos relacionados às acusações continuam em andamento.

Depois da condenação, o MP-RO solicitou uma nova prisão preventiva em regime fechado, argumentando que havia risco de novas contaminações. O pedido foi aceito pela Justiça na quarta-feira (9), e Jean voltou a ser preso.

Antes da condenação, a defesa de Jean afirmou ao g1 que o acusado realizava tratamento antirretroviral e acreditava que não havia risco de transmissão sexual do HIV. Após a sentença, o advogado foi novamente procurado pela reportagem, mas optou por não se manifestar.

A infectologista Mariana Vasconcelos afirmou que, atualmente, a desinformação e o preconceito representam grandes dificuldades para pessoas que vivem com HIV. A mulher também relatou o receio de sofrer consequências sociais caso sua identidade seja revelada.

“Não posso me identificar sem sofrer prejuízos ou expor familiares a prejuízo social”, afirmou a mulher, destacando que o preconceito ainda é um obstáculo para quem recebe o diagnóstico.

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Gazeta de Varginha

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