top of page
1e9c13_a8a182fe303c43e98ca5270110ea0ff0_mv2.gif

Mulheres avançam na ciência, mas ainda enfrentam barreiras nas áreas de Exatas e Engenharias

  • há 3 minutos
  • 3 min de leitura
Mulheres avançam na ciência, mas ainda enfrentam barreiras nas áreas de Exatas e Engenharias
Para fins de análise, os cursos foram agrupados em grandes áreas do conhecimento a partir de dados extraídos do Sistema Acadêmico da UNIFAL-MG. (Arte: Ingridy Bueno Corrêa/Dicom)
Um levantamento institucional da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), referente ao período de 2020 a 2025, revela que as mulheres são maioria entre estudantes e servidores titulados em diversas áreas do conhecimento. No entanto, a sub-representação feminina nos campos das Ciências Exatas e Engenharias permanece como desafio, refletindo uma tendência nacional e global. O estudo foi realizado em alusão ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro.

O cenário local acompanha dados internacionais. Segundo a UNESCO, as mulheres representam cerca de um terço da comunidade científica mundial. A proporção de pesquisadoras passou de pouco mais de 28% em 2013 para aproximadamente 33% na década mais recente, demonstrando avanço, mas também certa estagnação. Nos países do G20, elas ocupam cerca de 22% dos empregos nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e apenas uma em cada dez posições de liderança nesses setores.

No Brasil, dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) indicam que as mulheres já são maioria entre estudantes de pós-graduação e bolsistas de mestrado e doutorado. Ainda assim, continuam minoria nas Engenharias e nas Ciências Exatas e da Terra, além de terem presença reduzida em bolsas de produtividade e cargos de liderança acadêmica.

Graduação: maioria feminina em várias áreas
Na graduação da UNIFAL-MG, as mulheres predominam entre ingressantes e concluintes na maior parte das grandes áreas. Entre 2020 e 2025, elas representaram 74,40% dos ingressantes na Saúde e 76,10% nas Licenciaturas. Nas Humanas, corresponderam a 63,40% das matrículas iniciais, e nas Biológicas, a 58,60%.

Entre os concluintes, o padrão se mantém: 74,70% dos formandos na Saúde e 74,80% nas Licenciaturas foram mulheres.

Já nas áreas de Exatas e Engenharias, os homens ainda são maioria entre os ingressantes (56,20%) e entre os concluintes (50,80%), embora a diferença diminua ao final da formação.

Pós-graduação: desigualdade persiste
Na pós-graduação, as mulheres seguem maioria nas áreas da Saúde, Licenciaturas e Biológicas. No período analisado, representaram 83,50% dos ingressantes e 84,10% dos concluintes na Saúde, além de cerca de dois terços nas Licenciaturas.

Em contrapartida, nas Exatas e Engenharias, apenas 41% dos ingressantes e 43,30% dos concluintes foram mulheres, indicando que a desigualdade de gênero se prolonga nos níveis mais avançados da formação científica. Nas Sociais Aplicadas e Humanas, a presença masculina supera a feminina na pós-graduação.

Iniciação Científica: equilíbrio na base
Na Iniciação Científica, considerada a porta de entrada da carreira acadêmica, há equilíbrio de gênero. Entre 2020 e 2025, foram registrados 4.443 estudantes em projetos com bolsa e voluntários, sendo 49,40% mulheres e 50,60% homens.
A maior concentração feminina ocorre na área da Saúde. Já nas Exatas e Engenharias, os homens são maioria. Nas Humanas e Biológicas, a distribuição é equilibrada.

Titulação e produção acadêmica
Entre docentes com doutorado, observa-se praticamente paridade: 49,40% mulheres e 50,60% homens. Já entre docentes com apenas mestrado, os homens representam 72%.

Entre os técnicos-administrativos com alta titulação, as mulheres são maioria: 63,60% entre os que possuem doutorado e 54,80% entre os mestres.

No campo da produção acadêmica, o Repositório Institucional registrou, entre 2020 e 2025, 145 teses de doutorado, das quais 48,30% foram assinadas por mulheres e 51,70% por homens. Já entre as 1.051 dissertações de mestrado identificadas no período, 40,60% tiveram mulheres como primeiras autoras, enquanto 59,40% foram assinadas por homens.

A maior presença masculina se concentra nas áreas de Exatas e Engenharias, reforçando o padrão de desigualdade observado desde a graduação até a produção científica.

O levantamento foi realizado com base nos metadados do Repositório Institucional da universidade, considerando o nome do primeiro autor e a classificação temática dos trabalhos por palavras-chave dos títulos.
Fonte: Unifal

Gazeta de Varginha

bottom of page