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Nigéria confirma primeiro caso de Ebola em mais de dez anos; mulher ugandense foi isolada em Abuja e 44 contatos são rastreados

há 48 minutos
2 min de leitura

Reprodução
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A Nigéria registrou nesta terça-feira (21) seu primeiro caso de Ebola em mais de uma década, tornando-se o quarto país africano atingido pelo surto atual — e o mais populoso deles. A confirmação acendeu alerta em todo o continente, já que a cepa em circulação não dispõe de vacina nem de tratamento aprovados e apresenta taxa de mortalidade de aproximadamente 50%. Desde que os primeiros casos foram detectados na República Democrática do Congo, em maio, a doença já causou 4.646 mortes e se espalhou para outras nações, com as autoridades classificando esta propagação como a mais rápida já documentada.

O caso identificado na Nigéria envolve uma mulher ugandense que chegou à capital, Abuja, no dia 5 de outubro, vinda de Adis Abeba. Dois dias depois, começou a apresentar sintomas e, em 11 de outubro, procurou atendimento em hospital particular com quadro semelhante à malária. Como não houve melhora, as autoridades foram notificadas; ao saberem que ela havia estado em Uganda — um dos países afetados —, realizaram teste para Ebola no dia 19, que resultou positivo. A paciente encontra-se isolada e recebendo acompanhamento médico. Foram identificadas 44 pessoas que tiveram contato próximo com ela, entre profissionais de saúde, familiares e passageiros do voo; o marido da paciente, cidadão suíço, está entre os monitorados.

O surto tem mobilizado autoridades em toda a região. O Quênia confirmou recentemente seu primeiro caso, também em viajante procedente do Congo passando por Uganda; já são nove registros ligados a essa transmissão inicial, levantando dúvidas sobre a eficácia dos sistemas de triagem nas fronteiras. A própria Uganda esclareceu que a mulher pode ter transitado pelo país sem contrair a doença ali: o país registrou casos entre maio e junho, mas a Organização Mundial da Saúde o declarou livre de transmissão em agosto. Ainda assim, a circulação do vírus em três regiões distintas da África levou o diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças a convocar reunião extraordinária de ministros da Saúde para o dia 28 de outubro.

O ministro da Saúde da Nigéria, Muhammad Ali Pate, destacou que o país já enfrentou com sucesso a epidemia de Ebola de 2014, quando conseguiu conter a transmissão rapidamente, e reafirmou que os sistemas de vigilância e resposta estão ativados. Ainda assim, especialistas alertam para riscos adicionais: a desinformação sobre a doença e a insuficiência de recursos financeiros podem acelerar a disseminação dentro e fora das fronteiras. A situação é classificada como dinâmica e exige ação coordenada entre países para evitar novos casos e conter o avanço do vírus.

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