Norte e Nordeste lideram déficit de professores com formação adequada e têm piores médias no Enem
8 de mai. de 2025
1 min de leitura
Um estudo da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados revela que as regiões Norte e Nordeste enfrentam os maiores déficits de professores com formação adequada no Brasil, o que reflete diretamente no baixo desempenho de seus alunos no Enem 2023.
No Ensino Médio, 36,1% dos professores no Nordeste e 33,7% no Norte não tinham formação apropriada para a disciplina que lecionam — acima da média nacional de 31,8%. A situação é ainda mais grave nos anos finais do Ensino Fundamental: mais de 52% dos docentes nessas regiões lecionam sem qualificação adequada, enquanto a média nacional é de 39,6%.
O impacto dessa carência é claro nos resultados do Enem: o Norte teve média de 513,17 e o Nordeste de 529,36 pontos — ambas abaixo da média nacional de 543,16. Desde 2014, essas regiões ocupam as últimas posições no ranking nacional.
As disciplinas com maior escassez de professores qualificados são Sociologia (63,1%), Língua Estrangeira (55,7%), Filosofia (48,8%) e Física (44,2%) — exatamente áreas com os piores desempenhos no exame.
A desigualdade também se manifesta entre redes pública e privada: no Ensino Médio, 32,3% dos professores da rede pública não têm formação adequada, contra 29,4% na privada. No Fundamental, essa diferença é ainda maior (40,8% contra 34,1%).
Apesar de o déficit nacional ter melhorado nos últimos dez anos (de 40,5% para 31,8% no Ensino Médio), as desigualdades regionais persistem. Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, “um ensino aprofundado exige docentes com formação específica, e isso ainda está longe de ser realidade no Brasil”.
Comentários