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Nova rota de tráfico humano leva 23 brasileiros do Camboja a Madagascar após aumento da repressão no Sudeste Asiático

  • há 27 minutos
  • 2 min de leitura
Ilustrativo
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Uma rede internacional de tráfico humano passou a mudar suas rotas após o aumento da repressão contra os chamados complexos de golpes no Sudeste Asiático. O caso de 23 brasileiros atualmente em Antananarivo, capital de Madagascar, é apontado como um exemplo dessa mudança. O grupo teria sido atraído por falsas promessas de emprego, levado inicialmente ao Camboja e depois transferido para o país africano, onde, segundo relatos das vítimas, foi obrigado a participar de golpes financeiros.

De acordo com Cintia Meirelles, diretora da ONG Exodus Road Brasil, que atua no combate ao tráfico humano, as redes criminosas passaram a procurar novos destinos depois da intensificação das ações das autoridades contra os centros de fraude. Ela relaciona a mudança ao conflito entre Tailândia e Camboja em 2025 e ao aumento da presença policial nos complexos utilizados para exploração de vítimas.

Segundo Meirelles, a atuação das autoridades fez com que as organizações criminosas começassem a espalhar suas operações por diferentes países. Além de Madagascar, foram citados Paraguai, Ucrânia, Armênia, Malásia e Emirados Árabes Unidos como locais para os quais essas redes passaram a direcionar suas atividades. A pulverização das operações, segundo a especialista, também dificulta o monitoramento e o combate ao tráfico humano.

O grupo de brasileiros representa uma das situações relacionadas a essa nova dinâmica. As vítimas relataram que foram convencidas a deixar o Brasil por meio de ofertas de trabalho no exterior. As propostas apresentavam oportunidades que pareciam legítimas e incluíam benefícios como passagem aérea, alimentação e moradia. Depois da chegada ao Camboja, porém, os brasileiros teriam descoberto que a realidade era diferente da anunciada.

Os relatos indicam que os passaportes dos trabalhadores foram recolhidos e que eles passaram a ter a circulação controlada. Em vez do emprego prometido, teriam sido submetidos a atividades relacionadas a golpes virtuais. Segundo os depoimentos, a rotina poderia chegar a 10 ou 12 horas de trabalho por dia, com metas e regras impostas pelos responsáveis pelo local.

Posteriormente, os brasileiros foram levados para Madagascar, em uma transferência que, segundo os relatos, ocorreu enquanto as atividades da organização eram alvo de investigações no Camboja. No país africano, o grupo afirma que continuou submetido a uma estrutura de exploração e foi obrigado a realizar atividades ligadas a fraudes financeiras contra outras pessoas.

O governo brasileiro já identifica o Camboja como um dos principais destinos de brasileiros vítimas de tráfico internacional. Dados do Ministério da Justiça citados na reportagem apontam que 84 vítimas brasileiras foram identificadas em casos de tráfico internacional em 2025, evidenciando a dimensão que o problema alcançou.

A mudança das rotas representa um novo desafio para o combate ao tráfico humano. Com as organizações criminosas distribuindo suas operações por diferentes países e deixando de concentrar suas atividades apenas no Sudeste Asiático, o acompanhamento dos locais onde as vítimas são exploradas se torna mais complexo. O caso dos 23 brasileiros em Madagascar é apresentado como um retrato dessa transformação das rotas internacionais de tráfico de pessoas.

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Gazeta de Varginha

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