Nova variedade de café da Epamig alia produtividade, qualidade e adaptação climática
16 de dez. de 2025
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Divulgação
Epamig apresenta cultivar de café mais resistente a doenças e às mudanças climáticas.
Como resposta aos desafios impostos pelas mudanças climáticas à cafeicultura, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) apresentou a cultivar MGS Epamig Amarelão, resultado de cerca de quarenta anos de pesquisas. A variedade se destaca pela produtividade, tolerância à seca, resistência a doenças e pela alta qualidade da bebida, já reconhecida em concursos nacionais e internacionais. O registro oficial da cultivar ocorreu em novembro.
Originada do cruzamento entre Catuaí Amarelo IAC 30 e Híbrido de Timor UFV 445-46, a MGS Epamig Amarelão tem apresentado bom desempenho especialmente no Vale do Jequitinhonha, onde chamou atenção pela precocidade e pelos atributos sensoriais do café produzido.
Na Fazenda Sequoia, em Angelândia, o café da cultivar já foi premiado na região da Chapada de Minas e obteve elevadas pontuações em concursos nacionais e internacionais. “Os concursos são o nosso termômetro, uma chancela de qualidade. A cultivar surpreende pela qualidade da bebida, que une o frutado, o floral e a acidez. Já conquistamos quatro prêmios com o café Amarelão”, afirma o gerente da propriedade, Rodrigo Crimaudo Mendes.
Quarenta anos de pesquisa
A cultivar é fruto do Programa de Melhoramento do Cafeeiro da Epamig, desenvolvido em parceria com a Embrapa Café e a Universidade Federal de Viçosa (UFV). Durante esse período, a variedade se destacou pela produtividade mesmo em condições de elevado déficit hídrico no Vale do Jequitinhonha.
Os testes envolveram avaliações de desempenho produtivo, resistência à ferrugem e ao nematoide Meloidogyne exigua, além das características dos grãos, em unidades da Epamig localizadas em São Sebastião do Paraíso, Machado e Patrocínio.
“Por volta de 2014, ocorreu uma seca severa na região de Capelinha e as progênies da cultivar Amarelão se mostraram menos afetadas pela restrição hídrica e pelas altas temperaturas, mantendo-se vigorosas e produtivas”, explica o pesquisador da Epamig Vinícius Teixeira Andrade.
Segundo ele, o envolvimento dos produtores no processo de seleção foi decisivo. “Eles fizeram um belo trabalho na escolha das plantas, o que é um exemplo de melhoramento participativo, no qual os cafeicultores atuam diretamente na definição das progênies”, avalia.
O cafeicultor Sérgio Meirelles Filho, de Aricanduva, relata bons resultados com a cultivar. “Visitei a lavoura em um ano muito seco, em solo ácido, e a safra foi excelente. Plantei e fiquei muito satisfeito. A cultivar tem surpreendido pela produtividade, qualidade e precocidade”, afirma.
Na Fazenda Sequoia, o plantio começou em 2021. Atualmente, cerca de 17 hectares são ocupados pela MGS Epamig Amarelão, com planos de expansão para até 50 hectares.
Novas avaliações
Apesar da ampla adoção no Vale do Jequitinhonha, onde estima-se a existência de mais de cinco milhões de plantas da cultivar, a Epamig destaca a necessidade de ampliar as avaliações em outras regiões. Os estudos irão considerar diferentes condições de solo, clima, altitude, latitude, espaçamento e sistemas produtivos, tanto de sequeiro quanto irrigados.
“Em áreas onde já tivemos quatro colheitas, a produtividade superou 50 sacas por hectare. Agora, vamos expandir as avaliações de campo para dar mais robustez e precisão às recomendações”, conclui Vinícius Andrade.
A Epamig realiza a comercialização sazonal de sementes e mudas de café, de diversas variedades, por meio da Assessoria de Negócios Agropecuários, pelo e-mail asagro@epamig.br
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