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“Não pude nem me despedir”: pai lamenta caixão lacrado no enterro de jovens mineiros mortos em SC

  • 6 de jan.
  • 2 min de leitura

fonte: g1
fonte: g1
A manhã desta terça-feira (6) foi marcada por dor, silêncio e pedidos de justiça em Guaranésia, no Sul de Minas Gerais. Familiares, amigos e moradores da cidade se reuniram para o sepultamento de Guilherme Macedo de Almeida, de 20 anos, e Pedro Henrique Prado, de 19, dois dos quatro jovens mineiros encontrados mortos em Santa Catarina após uma semana desaparecidos.
Os corpos chegaram ao Velório Municipal por volta das 6h30, onde foram velados juntos em caixões lacrados, identificados apenas por fotografias. Às 10h, um cortejo acompanhou os féretros até o cemitério da cidade, em meio a aplausos, lágrimas e homenagens.
Durante a despedida, o pai de Guilherme, Geraldo de Almeida, emocionou os presentes ao relembrar as últimas palavras do filho antes da viagem para Santa Catarina, onde buscava oportunidades de trabalho.
“Ele me disse: ‘Pai, eu te amo. Fica com Deus. Vou trabalhar para cuidar de você e da mãe quando vocês ficarem velhos’. Agora, eu não posso nem ver o rosto dele. O caixão está lacrado”, lamentou.
A dor também se repetia na família de Pedro. A irmã do jovem, Ana Carolina Prado dos Santos, relatou o sofrimento vivido desde a confirmação da morte.
“Minha mãe acorda chorando e dorme chorando. O Pedro fazia tudo para nos ver felizes. Ele cuidava de mim e das minhas irmãs. É uma dor que não dá para explicar”, disse.
Pedidos de justiça
Durante o sepultamento, familiares reforçaram o apelo por respostas e responsabilização dos envolvidos. Laís Macedo de Almeida, irmã de Guilherme, afirmou não acreditar que o caso terá um desfecho satisfatório na Justiça brasileira.
“A justiça dos homens é falha. Tenho medo de que esse seja mais um caso esquecido. A única justiça em que eu confio é a de Deus”, declarou.
Além de Guilherme e Pedro, também foram sepultados na segunda-feira (5), em Guaxupé (MG), os outros dois jovens mortos no crime: Daniel Luiz da Silveira e Bruno Máximo da Silva, ambos de 28 anos.
Investigação em andamento
A Polícia Civil de Santa Catarina informou que as investigações seguem em andamento e que nenhuma hipótese foi descartada até o momento. Entre as linhas investigativas estão possíveis conflitos entre grupos criminosos, desentendimentos anteriores ou crimes de natureza patrimonial.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Pedro Mendes, há troca de informações com as forças de segurança de Minas Gerais para aprofundar as apurações.
“Estamos analisando todas as possibilidades. Alguns dos jovens tinham passagens policiais em Minas Gerais, e essas informações estão sendo cruzadas para entender se há relação com facções criminosas ou outro tipo de motivação”, explicou.
Relembre o caso
Os corpos dos quatro jovens foram encontrados no último sábado (3), em Biguaçu, na Região Metropolitana de Florianópolis, após uma denúncia anônima indicar a presença de corpos às margens de uma estrada. As vítimas estavam amarradas e o reconhecimento inicial foi feito por familiares, com base em tatuagens.
Os jovens estavam desaparecidos desde 28 de dezembro, quando câmeras de segurança os flagraram saindo do condomínio onde moravam, em São José (SC), por volta das 3h15 da madrugada. Após dias sem contato, as famílias registraram boletins de ocorrência, dando início às buscas.
A Polícia Civil segue investigando o crime.

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Gazeta de Varginha

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