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Onda de calor de 2026 matou mais de 50 mil pessoas na Europa; verão foi o mais letal já registrado, indica estudo

há 1 hora
2 min de leitura

Reprodução
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Uma nova análise publicada na revista Nature Health estima que 50.391 pessoas morreram em consequência das ondas de calor que assolaram a Europa no verão de 2026 — o número mais elevado dos últimos 26 anos e substancialmente superior aos recordes anteriores de 2022 e 2003. O levantamento comparou temperaturas registradas em 854 cidades de 30 países com o que seria esperado num mundo sem aquecimento global, cruzando esses dados com pesquisas consolidadas sobre a relação entre calor extremo e mortalidade. Cerca de 32.600 dessas mortes são atribuídas diretamente às mudanças climáticas impulsionadas pela queima de combustíveis fósseis.

O fenômeno atingiu especialmente o sul e o oeste do continente, mas também afetou fortemente regiões do norte, como o Reino Unido — áreas historicamente mais frias e menos preparadas para temperaturas extremas. Os idosos, acima de 85 anos, foram o grupo mais vulnerável, mas o impacto não se restringiu a eles: mais de 800 pessoas com idade entre 20 e 44 anos também faleceram por causas relacionadas ao calor. A Europa é atualmente o continente que aquece com maior velocidade do planeta, e o verão de 2026 foi o mais quente já registrado na Europa Ocidental, com média de 2,9 °C acima da referência de 1991–2020; em alguns dias, a anomalia ultrapassou 12 °C em locais específicos.

O alerta chega poucas semanas antes de líderes mundiais se reunirem na Turquia para a cúpula climática da ONU, e dias após um relatório da organização confirmar que a meta de limitar o aquecimento a 1,5 °C já está fora de alcance. Clair Barnes, pesquisadora do Imperial College London e uma das autoras do estudo, resume: "Estamos muito longe de conseguir limitar as piores consequências das mudanças climáticas, e os governos precisam se dar conta de que, sem uma ação mais rápida e coordenação, a situação só vai piorar". A proporção de mortes ligadas à atividade humana também cresceu: no início do século, cerca de 40% dos óbitos por calor tinham essa origem; hoje, sobe para dois terços do total.

Especialistas independentes reforçam o tom de urgência. Raquel Nunes, da Universidade de Warwick, lembra que o calor é um "assassino silencioso", cujos efeitos nem sempre aparecem de imediato. Lasse Vestergaard, da Rede Europeia de Monitoramento da Mortalidade, observa que, embora modelos envolvam incertezas, as estimativas estão alinhadas com dados oficiais coletados durante o próprio verão. A conclusão é clara: "Enquanto não abandonarmos a dependência de combustíveis fósseis, continuaremos a presenciar verões cada vez mais quentes e perigosos", adverte Barnes. Por trás de cada número, enfatiza a pesquisadora, há vidas perdidas e famílias atingidas.

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