Operação Yellow Code investiga grupo que enviava haxixe escondido em eletrodomésticos vendidos pela internet
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A Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, deflagraram nesta quinta-feira (15) a Operação Yellow Code para investigar uma organização suspeita de tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. Segundo as apurações, o grupo utilizava uma plataforma de comércio eletrônico para enviar haxixe escondido em eletrodomésticos, aproveitando a estrutura de entregas de mercadorias aparentemente legais.
As encomendas eram despachadas da região Sul do país com destino à capital paulista e a municípios da Região Metropolitana de São Paulo. Entre os produtos utilizados para ocultar a droga estavam fornos elétricos, bebedouros e cooktops.
A operação busca cumprir mandados judiciais em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Também foram determinadas medidas para bloquear recursos financeiros e restringir bens relacionados aos investigados.
Mandados e cidades envolvidas
A operação foi deflagrada para desarticular o esquema investigado pelas autoridades. Os agentes cumprem mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em São Paulo, São Caetano do Sul e Praia Grande, no estado de São Paulo, além de Pinhais e Foz do Iguaçu, no Paraná, e Palhoça, em Santa Catarina.
A investigação também levou a Justiça a determinar o bloqueio de contas bancárias, que pode alcançar R$ 5 milhões, além da restrição de veículos vinculados aos suspeitos. Durante as diligências, foram apreendidas armas de fogo, drogas e aproximadamente R$ 270 mil em dinheiro.
O objetivo das medidas é reunir provas sobre a atuação do grupo, identificar os envolvidos e aprofundar a apuração das suspeitas de tráfico de drogas e lavagem de capitais.
Investigação começou após encomendas suspeitas
As apurações tiveram início em setembro de 2025, após uma denúncia sobre o recebimento frequente de encomendas suspeitas por moradores do bairro de Americanópolis, na zona sul da cidade de São Paulo.
A partir das informações recebidas, os investigadores passaram a examinar o envio de mercadorias por uma empresa que utilizava o comércio eletrônico para realizar as remessas. A suspeita ganhou força quando funcionários da plataforma identificaram um forte odor de entorpecentes em determinados volumes.
A empresa realizou verificações preliminares, submeteu as encomendas a inspeções por raio-X e acionou a Polícia Federal. As análises permitiram identificar drogas escondidas dentro de eletrodomésticos.
Em apreensões realizadas durante a investigação, os agentes encontraram cerca de 12,8 quilos de entorpecentes ocultos em dois fornos elétricos e em um bebedouro. As descobertas ajudaram a direcionar as apurações sobre a forma de atuação do grupo.
Esquema pode ter movimentado milhões de reais
Com base nas apreensões e no levantamento das remessas investigadas, a Polícia Federal estima que os três principais núcleos apurados tenham movimentado mais de 514 quilos de maconha e haxixe.
O lucro estimado com as atividades investigadas ultrapassaria R$ 5 milhões. Além disso, os investigadores suspeitam que mais de 500 remessas semelhantes tenham sido realizadas.
Caso a estimativa de envios seja confirmada e o conjunto das encomendas suspeitas seja considerado, o volume total de drogas transportadas poderá chegar a quase três toneladas. A movimentação financeira relacionada ao esquema poderia superar R$ 30 milhões.
Esses valores são estimativas da investigação e ainda dependem do avanço das apurações. As suspeitas de participação no esquema não representam, por si só, comprovação de culpa dos investigados.
A Operação Yellow Code busca esclarecer a extensão da organização criminosa, identificar os responsáveis pelas remessas e apurar a possível lavagem do dinheiro obtido com o tráfico interestadual de drogas.
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