Há uma diferença clara entre opinião e responsabilidade - e nem todos que escrevem sobre política e administração pública parecem compreender isso.
Vivemos um tempo em que opiniões rasas ganham espaço com facilidade, em que a retórica, muitas vezes, tenta substituir o conteúdo, e em que a crítica fácil se sobrepõe ao conhecimento construído. Nesse cenário, não basta falar: é preciso saber do que se está falando.
Escrever sobre gestão pública, política e temas jurídicos exige mais do que indignação momentânea ou alinhamento ideológico. Exige critério, compromisso com a verdade e respeito ao leitor.
Não há espaço para improviso quando se trata de informação séria.
É por isso que defendemos - e praticamos - uma escrita baseada em dados, sustentados por fontes confiáveis e com a devida referência aos autores que fundamentam cada análise. Opiniões são livres, mas não podem ser irresponsáveis. Quando não se apoiam em fatos, deixam de contribuir e passam apenas a confundir.
A crítica é necessária. Em muitos momentos, deve ser firme, direta e até incômoda. Mas há uma linha clara entre o posicionamento crítico e a banalização do debate público - e essa linha vem sendo ultrapassada com frequência preocupante.
Discordar é legítimo. Divergir faz parte de qualquer sociedade democrática. O que não se pode aceitar é a substituição do argumento pela superficialidade, nem o abandono da responsabilidade por aquilo que se escreve.
Também é preciso lembrar que compromisso com a sociedade não se limita às palavras. Ele se revela na prática, nas atitudes e na disposição de contribuir de forma concreta para o interesse coletivo. Não há dúvidas que até a crítica construtiva incomoda, mas é preciso reconhecer que na área pública somos avaliados e nem sempre nossas atitudes, como mandatários, não vão ao encontro daquilo que os munícipes esperam.
Interpretar o momento da sociedade, do país e do mundo é um desafio permanente. Exige prudência, experiência e coragem - especialmente para dizer o que muitos preferem evitar.
O colunista de opinião não escreve para agradar. Escreve para esclarecer, provocar e, sobretudo, responsabilizar. Porque opinião qualquer um emite; mas consistência, essa se constrói com o tempo, com prática e com coerência.
Com esta preleção, afirmamos que continuaremos a fornecer informações à sociedade e a debater temas políticos e técnicas de administração pública, bem como teorias científicas, psicologia, sociologia, teologia, entre outros.
E, se se tornar necessário, caso algumas supostas denúncias de nossa autoria não encontrarem eco nas autoridades competentes, tentaremos levá-las à Câmara, ao Tribunal e ao Ministério Público. Apesar de já termos feito isso no passado em relação a dois ex-presidentes – um deles nos ameaçou com processos, até hoje questionamos qual fundamentação utilizariam, visto que sequer levaram o tema a plenário.
Não queremos ser patéticos nem suscitar comiseração, mas o que nos fizeram não condiz com os 20 anos prestados ao Hospital Bom Pastor, ao Hospital Regional e ao FAPEN, Vice-Presidente da TV Princesa, sem receber um centavo pela longa prestação de serviços. É claro que não esperamos nada em troca - ninguém nos forçou a essa causa social, mas também achamos que não merecíamos ser tratados como qualquer pessoa, estando na direção, praticamente, só ex-colegas de função pública, que conheceram nossos esforços.
Luiz Fernando Alfredo
Luiz Fernando Alfredo é articulista político e possui mais de 30 anos de experiência na administração pública no Município de Varginha, onde atuou como Secretário de Administração, Secretário de Controle Interno e Presidente da Fundação Hospitalar do Município - Hospital Bom Pastor e Hospital Regional do Sul de Minas, tendo sido o Presidente da Comissão (6 pessoas estáveis e de larga experiência na Prefeitura sem contratarmos consultoria) para Reestruturação do Município de Varginha, logo após, a promulgação da Constituição Federal. Foi elaborado o Organograma Geral, Estatuto dos servidores públicos, plano de cargos e salários, Serviços Especializado em Engenharia de segurança e Medicina do Trabalho – SESMT, Centro de treinamento e valorização do servidor público – CTV, regimento interno, fluxograma geral, Controle Interno, Procuradoria Geral, implantação do Serviço de Informática, especialmente na área financeira, realização do maior concurso da história de Varginha – aproximadamente 1.100 vagas e alteração de leis ordinárias que não coadunavam com a constituição de 1.988.
Foi co-fundador e presidente do Fundo de Aposentadoria e Pensão (FAPEN), hoje Instituto de Previdência de Varginha (INPREV). Atuou também como assessor da Câmara por breve período, onde constatou uma série de condutas diferentes no poder legislativo.
Na iniciativa privada, teve experiência como empresário, subgerente da filial da Philip Morris Brasileira de Cigarros e Supervisor Regional da Companhia Agrícola de Minas Gerais. Colaborou, no início, com o voluntariado “Vida Viva” de Varginha, com ideias e apoio material.
Prestou consultoria administrativa (com associados) em Contagem (MG), Guaxupé, Alfenas, Santos Dumont, Vespasiano, entre outras cidades. Contribuiu com a Associação Mineira de Municípios (AMM) no início da criação das Controladorias em Minas Gerais, tendo participado de reunião no BNDES, na qual demonstrou metodologia para diagnosticar a capacidade de um município honrar empréstimos, analisando os balanços dos últimos quatro anos, folha de pagamento (estatutos e plano de carreiras), despesas vinculadas, renúncia de receita, convênios, dívida fundada e capacidade de investimento.
A propósito da exposição das experiências que amealhamos, não se trata de presunção, mas sim de consolidar que não falamos, em nossos editoriais, nenhuma bobagem ou mentira; apenas tentamos deixar algo aproveitável para aqueles que ocupam cargos públicos. Jamais ofendemos a integridade pessoal de ninguém, mas denunciamos, nos termos da liberdade de expressão consagrada na Constituição Federal, possíveis irregularidades cometidas pelo sistema.
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