Diante de tudo isso, uma pergunta inevitavelmente aparece: este país ainda tem jeito?
Tem.
Mas não se pode esperar que a solução venha daqueles que se acostumaram a viver das próprias distorções do sistema.
O Brasil não está condenado à pobreza. Está preso a escolhas políticas que, durante décadas, confundiram desenvolvimento com crescimento do Estado, justiça social com dependência e política com ocupação do poder.
A corrupção é apenas uma parte do problema. Talvez ainda mais perigosa seja a cultura que permite que o interesse público seja frequentemente colocado abaixo do interesse partidário, corporativo ou pessoal.
Quando a política deixa de ser instrumento para servir à sociedade e passa a ser instrumento para controlar o Estado, o cidadão deixa de ser protagonista e passa a ser eleitor, contribuinte e dependente.
E essa dependência é politicamente poderosa.
Um cidadão que prospera, trabalha, empreende e consegue viver com autonomia é menos dependente de favores. Já aquele que precisa do Estado para sobreviver torna-se mais vulnerável às promessas, aos discursos e às máquinas políticas.
Talvez seja justamente por isso que o Brasil precise de menos tutela e mais liberdade para produzir.
Não precisamos destruir o Estado. Precisamos colocá-lo no seu devido lugar.
Um Estado que garanta segurança, justiça, educação, saúde e oportunidades; que fiscalize sem sufocar; que cobre impostos sem inviabilizar quem produz; que combata privilégios em vez de criá-los; e que compreenda que sua função não é fazer o cidadão depender dele, mas permitir que o cidadão caminhe com as próprias pernas.
A mudança, porém, não virá somente de Brasília.
Ela começa quando o eleitor deixa de perguntar apenas “o que este candidato vai me dar?” e passa a perguntar “o que este candidato fará para que eu não precise depender do governo?”
Começa quando deixamos de admirar políticos pelo tamanho de suas promessas e passamos a julgá-los pelo resultado de suas administrações.
Começa quando entendemos que dinheiro público não é dinheiro do governo.
É dinheiro do cidadão.
E talvez essa seja a maior revolução que o Brasil ainda precise fazer: compreender que a democracia não termina diante da urna. Ela continua todos os dias, quando cobramos responsabilidade, rejeitamos privilégios, exigimos transparência e recusamos transformar adversários políticos em inimigos.
O Brasil tem jeito.
Mas precisa decidir se quer continuar sendo um país que distribui pobreza em nome da igualdade ou uma nação que cria condições para que seu povo produza riqueza e dela se beneficie.
Temos recursos para sermos ricos.
Temos gente capaz para sermos prósperos.
O que ainda nos falta é construir instituições suficientemente sérias para que o trabalho de milhões de brasileiros não seja continuamente utilizado para sustentar
um sistema que deveria existir para servi-los.
Talvez o futuro do Brasil dependa menos de descobrir um novo salvador e mais de descobrir uma coisa muito mais simples:
um povo que não aceita mais ser tratado como dependente.
Porque nenhum país muda quando apenas o governo muda.
Um país muda quando seu povo muda a maneira de escolher, cobrar e participar do poder.
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