Organização criminosa movimentou drogas, armas e lavagem de dinheiro em Minas
17 de dez. de 2025
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Divulgação
MPMG denuncia 35 integrantes de organização criminosa com atuação interestadual.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia contra 35 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa com atuação em diversas cidades mineiras e também em outros estados do país. Os denunciados respondem por crimes de organização criminosa, associação para o tráfico interestadual de drogas, tráfico de drogas, posse de arma de fogo de uso restrito e lavagem de capitais.
De acordo com o MPMG, o grupo atuava em municípios como Ituiutaba, Uberlândia, Centralina, Pará de Minas, Belo Horizonte, Esmeraldas e Contagem, além de cidades dos estados de São Paulo e Mato Grosso. A denúncia é resultado da operação Muro ao Lado, que teve início após a prisão em flagrante de um homem, em 24 de fevereiro de 2025, com cerca de 40 quilos de maconha. A partir desse flagrante, as investigações revelaram uma rede criminosa altamente estruturada, com clara divisão de funções.
Segundo a 4ª Promotoria de Justiça de Ituiutaba, a organização era composta por núcleos bem definidos, incluindo liderança e fornecimento, distribuição regional, logística de estocagem e transporte, lavagem de capitais e pagamento fragmentado, envolvendo varejistas. A atuação do grupo se dava de forma profissional, com uso de múltiplos celulares, sistemas de comunicação cifrada, padronização de preços e procedimentos, além da fragmentação sistemática de pagamentos por meio de dezenas de contas bancárias de terceiros e empresas de fachada.
Ainda conforme a denúncia, a movimentação financeira rastreada ultrapassou R$ 400 mil em curto período, valor que, segundo o MPMG, representa apenas uma pequena fração das operações reais do grupo criminoso, utilizadas para dificultar a persecução penal e ocultar a origem e o destino dos recursos ilícitos.
A primeira fase da operação Muro ao Lado foi deflagrada pela Polícia Civil, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no dia 13 de agosto. A segunda fase ocorreu em 13 de outubro. Durante as ações, além das prisões, foram apreendidas drogas, armas, celulares e equipamentos utilizados no tráfico.
As investigações apontam que a organização movimentou aproximadamente 284,89 quilos de drogas no período apurado, entre maconha, cocaína, ecstasy e LSD, seja por apreensões em flagrante ou por negociações rastreadas. O grupo também utilizava armas de fogo para garantir a segurança de seus integrantes e a continuidade das atividades ilícitas. Durante a operação, foram apreendidas armas de uso restrito e grande quantidade de munições em endereços localizados em Uberlândia, Belo Horizonte e Esmeraldas.
O inquérito revelou ainda a existência de ramificações corruptoras dentro da organização. Um policial civil lotado na comarca de Ituiutaba teria sido cooptado pelo grupo e, valendo-se de sua função, repassado informações sigilosas da investigação ao líder da organização criminosa, o que teria dificultado a instrução criminal e frustrado prisões e apreensões.
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