Pais de alunos de creche onde funcionário morreu soterrado não queriam que eles voltassem às aulas
11 de mai. de 2023
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Foto: Bombeiros / arquivo pessoal
Os alunos da creche onde um funcionário público morreu soterrado após um barranco ceder na tarde desta quarta-feira (10) em Muzambinho (MG) tinham retornado a estudar no local há menos de um mês. Os pais estavam apreensivos e pediram para que as crianças não retornassem enquanto as obras existentes no local não fossem terminadas.
O funcionário Cláudio Roberto Guida, de 49 anos, trabalhava na construção de um muro da creche, quando parte do barranco cedeu e ele ficou soterrado. Colegas ainda tentaram socorrê-lo, mas ele não resistiu.
O CEMEI Dona Sebastiana do Prado Campos, no bairro Brejo Alegre, estava fechado desde o ano passado depois que um muro de arrimo caiu atrás da creche. Desde então, os estudantes tiveram que terminar o ano letivo em um salão paroquial.
Mas no mês passado, a direção da creche informou que voltaria às aulas no dia 17 de abril, visto que as obras estavam adiantadas e não ofereciam riscos para crianças e funcionários.
Familiares de alunos que estudam na creche estavam preocupados com a falta de segurança no local.
"Esse comunicado dizia que a creche já estava apta a receber as crianças e que não oferecia risco nem para as crianças e funcionários. Eles retornam no dia 17, no dia 18 tem uma forte chuva e no dia 19 nós pais recebemos um vídeo de um engenheiro responsável notificando que a gente poderia ficar tranquilo, que lá não oferecia risco para os nossos filhos e que a situação estava controlada já com o início das obras. Então a gente achou que estava tranquilo, mas nós tínhamos nossas preocupações", disse a atendente Patrícia Aparecida da Silva.
A atendente disse ainda que mães pediram para que as crianças não voltassem a estudar no local, mas não foram atendidos.
"Eu não sei explicar o que a gente está sentindo, eu penso que poderia ter sido o meu filho, poderia ter sido o filho de qualquer uma que estava ali dentro, poderia ter sido um funcionário, mas infelizmente foi ele. Quatro mães que teve na reunião com a prefeita, com a vice-prefeita e vereadores, a gente pediu tanto que ali não era lugar deles, que eles deveriam voltar pra lá quando tudo tivesse pronto, a gente não foi ouvido", disse.
O funcionário público era casado e deixa dois filhos, de 7 e 21 anos.
"Minha irmã está desolada, não tenho palavras para explicar o quão grande está esse buraco no coração dela agora. Relataram pra gente que ele não tinha nenhum equipamento de segurança, nunca foi entregue a ele bota, roupa, capacete, nada, ele nunca trabalhou com nenhum tipo de equipamento de segurança. O muro tinha que ter sido escorado para os trabalhadores estarem trabalhando naquele nível que estava. A gente quer justiça, que aqueles que teriam sido responsáveis pela obra, mas foram irresponsáveis, que eles arquem com as consequências", disse a cunhada do funcionário público, a técnica de enfermagem Daniele Silveira Oliveira.
A creche está fechada e a prefeitura decretou luto de três dias.
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