PF prende suspeito de liderar facção PGC na fronteira com o Paraguai
gazetadevarginhasi
há 6 dias
2 min de leitura
Reprodução
A Polícia Federal (PF) prendeu, na noite de sábado (31), um homem de 32 anos apontado como integrante da facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense (PGC). A prisão ocorreu em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, município localizado na fronteira com o Paraguai. O suspeito, conhecido pelo apelido de “GG”, tinha dois mandados de prisão em aberto.
Ponta Porã faz fronteira direta com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, formando uma região considerada estratégica para o crime organizado, marcada por disputas violentas pelo controle do tráfico de drogas e pela atuação de grupos armados fortemente equipados.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes encontraram na residência do suspeito dois fuzis, duas pistolas, centenas de munições e estruturas de segurança reforçadas, como portas blindadas, o que transformava o imóvel em uma espécie de fortaleza. Diante do material apreendido, GG também foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de calibre restrito.
Além dos mandados existentes, o preso é investigado por dois homicídios qualificados consumados, duas tentativas de homicídio qualificado, além de porte ilegal de arma de fogo e outros crimes relacionados à atuação da facção.
Após a prisão, o homem foi encaminhado à Delegacia da Polícia Federal em Ponta Porã, onde foi lavrado o auto de prisão em flagrante, sendo posteriormente conduzido ao Sistema Prisional do Estado do Mato Grosso do Sul.
A ação foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Santa Catarina (FICCO/SC), composta por integrantes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal de Santa Catarina, além da Secretaria Nacional de Políticas Penais.
De acordo com a Polícia Federal, GG possui extensa ficha criminal em Santa Catarina e é apontado como um dos líderes do PGC, facção que atua principalmente no estado catarinense, mas mantém ramificações e alianças interestaduais.
O que é o PGC e semelhanças com o PCC
Segundo estudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Primeiro Grupo Catarinense teria surgido dentro do sistema prisional do estado, em um contexto marcado por superlotação e condições precárias nas unidades prisionais, seguindo uma lógica organizacional semelhante à do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Assim como a facção paulista, o PGC apresenta uma estrutura hierárquica complexa, com divisões internas, funções específicas e a existência de um estatuto próprio. As ramificações internas são conhecidas como Primeiro Ministério, Segundo Ministério, Disciplinas e Sintonias. A facção também adota práticas como o batismo de novos integrantes.
No campo das alianças, o PGC mantém relações com outras organizações criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e a Família do Norte (FDN). Segundo pesquisadores, os vínculos com o CV teriam se iniciado entre 2008 e 2011. Ao mesmo tempo, a facção catarinense é considerada rival do PCC.
Como forma de identificação, o grupo utiliza, além da sigla, a numeração “1573”, que corresponde à posição das letras do nome da facção no alfabeto, prática semelhante à adotada pelo PCC, que utiliza o número “1533”. Termos como “irmãos” e a cobrança de um “dízimo” aos integrantes também fazem parte da dinâmica interna do PGC.
Comentários