Prisão de investidor acusado de golpe de R$ 500 milhões leva polícia a aprofundar investigação em São Paulo
há 2 dias
2 min de leitura
Reprodução
A prisão do investidor Lucas Nery, realizada na segunda-feira (29) em Goiânia (GO), marcou um novo capítulo na investigação sobre um suposto esquema financeiro que teria provocado prejuízos estimados em R$ 500 milhões e atingido cerca de mil pessoas em Porto Ferreira, no interior de São Paulo. O empresário era considerado foragido desde abril e foi localizado após meses de buscas da Polícia Civil.
Segundo as investigações, Lucas é suspeito de comandar um esquema caracterizado pela polícia como uma pirâmide financeira. O modelo de negócio oferecido aos investidores prometia retornos elevados por meio da compra antecipada de créditos trabalhistas e de valores que terceiros tinham a receber da Justiça, mediante pagamento de quantias inferiores ao montante original.
De acordo com a apuração, investidores eram atraídos pela perspectiva de lucros considerados acima do padrão do mercado. O funcionamento do esquema começou a ser questionado quando os pagamentos previstos deixaram de ser realizados. Na data em que os repasses deveriam ocorrer, Lucas teria desaparecido, dando início às suspeitas e às denúncias às autoridades.
Relatos de vítimas indicam perdas de centenas de milhares de reais em investimentos feitos tanto com patrimônio pessoal quanto com recursos de empresas familiares. A estimativa da Polícia Civil é que aproximadamente mil pessoas tenham sido prejudicadas, embora o número total ainda esteja sendo levantado pelos investigadores. Apenas dois grupos de investidores ligados ao esquema reuniriam cerca de 300 participantes.
As investigações também alcançaram o advogado Jorge Nery, pai de Lucas, que já havia sido preso anteriormente. Segundo a Polícia Civil, ele é suspeito de ter contribuído para conferir credibilidade aos negócios apresentados aos investidores, inclusive por meio da utilização de entidades sindicais supostamente falsas. As suspeitas fazem parte da investigação e ainda serão analisadas pela Justiça.
Outra linha investigativa apura a possibilidade de parte dos recursos obtidos com o esquema ter sido enviada para contas no exterior e posteriormente convertida em criptomoedas, o que poderia dificultar o rastreamento do dinheiro pelas autoridades brasileiras.
Para tentar garantir eventual ressarcimento das vítimas, a Justiça determinou o bloqueio de bens, imóveis, contas bancárias e veículos ligados aos investigados. A medida busca preservar patrimônio que possa ser utilizado futuramente para compensar os prejuízos sofridos pelos investidores.
A defesa de Lucas Nery afirma que a Constituição assegura ao investigado a presunção de inocência e informou que apresentará, ao longo do processo, a versão completa dos fatos e os documentos que considerar necessários para o esclarecimento do caso perante a Justiça.
Comentários