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Produtores do Sul de MG tentam combater bactéria que impede o desenvolvimento da ponkan

  • 13 de jul. de 2024
  • 3 min de leitura
Foto: Reprodução EPT

Uma doença difícil de controlar tem causado danos significativos aos pomares de ponkan no Sul de Minas. O greening, uma doença bacteriana, impede o desenvolvimento da fruta, reduz a produtividade e pode resultar em grandes prejuízos para os produtores. Quem olha a fruta, aparentemente atrativa, com a casca grossa e levemente enrugada em tons de amarelo, quase laranja, nem imagina que na mesma plantação existem outras tão danificadas e muitas até já perdidas no chão. Tudo causado pelo greening.

"Ela começa devagar, a pessoa acha que está controlando e aos poucos ela explode. É incrível. Nós temos aqui em nossa região há uns dez anos. Até o ano passado, a gente controlou razoavelmente bem. Este ano realmente ela explodiu", disse o produtor rural José Maria de Carvalho.

No sítio de José, na zona rural de Campanha, são 25 hectares com 17 pés de ponkan plantados, dos quais 60% foram afetados pela doença. Isso resultou em uma queda significativa na produção deste ano.

"Eu ano passado cheguei até a erradicar pés com frutas para diminuir o inóculo da doença, mas eu perdi a fruta que estava no pé no intuito de diminuir o avanço e não adiantou nada. Infelizmente, eu tomei prejuízo", completou o produtor.
O greening é transmitido por um mosquito semelhante ao Aedes aegypti. A bactéria atinge o sistema circulatório da planta, deixando os pés com folhas amareladas e impedindo o crescimento dos frutos.

"Elas criam grandes colônias no vaso e ele entope. Então a seiva elaborada da planta não passa das raízes para as folhas. Os nutrientes não chegam, as folhas não chegam aos frutos, causando esse fechamento, essa diminuição dos frutos na planta, ficando no formato de cabacinha", explicou o engenheiro agrônomo Erton Renato Borges.

A contaminação dos pés ocorre rapidamente, tornando o controle ainda mais difícil. Quando uma planta está contaminada, não há muito o que fazer. A aplicação de inseticidas e outros produtos ainda não é suficiente para paralisar os efeitos do greening, sendo necessário erradicar a planta e evitar o novo plantio em áreas já contaminadas.

"Tem que tentar fazer um vazio sanitário nesse momento para tentar impedir o ciclo do vetor, para ver se consegue diminuir um pouco a incidência aqui na região", acrescentou o engenheiro agrônomo.

As dificuldades no cultivo e a queda na produtividade impactam no preço da fruta no mercado. Em outros anos, nas épocas de colheita, uma caixa de ponkan era vendida por até R$ 12. Hoje, o valor está em torno de R$ 30 a R$ 35.

"Essa doença, mais as questões climáticas, trazem um resultado negativo para o desenvolvimento produtivo das lavouras de mexerica ponkan", afirmou o professor de economia rural da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Renato Fontes.

O vice-presidente do Sindicato Rural de Campanha, Rafael Arcuri Neto, explicou que ainda não existem soluções imediatas para o problema, mas o assunto está em discussão.

"Nós estamos buscando caminhos e soluções para alternativas para o produtor. A própria Epamig incentiva na região a produção de uva, a produção de abacate e outras frutas que não sejam cítricas, para que o produtor tenha alternativas de substituição no futuro. Isso vai ter que ser feito de forma rápida. A cultura de cítricos, mantendo-se o quadro atual, não tem futuro, está condenada", disse Rafael.

Na tentativa de controlar a doença, José, que também é agrônomo, realiza testes de alguns produtos no pomar.
"A gente fica na expectativa de aparecer um produto que nos ajude de maneira efetiva a combater a doença. Estamos experimentando alguns produtos a fim de conviver com a doença, mas por enquanto, tudo está em fase inicial", completou José Maria de Carvalho.
Fonte: G1

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Gazeta de Varginha

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