Província canadense instala placa na fronteira e diz: "Nunca será o 51º estado"; ato coincide com entrada em vigor de tarifas retaliatórias
há 20 minutos
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Reprodução/ IA
A província da Colúmbia Britânica, localizada na costa oeste do Canadá, decidiu responder de forma direta às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que chegou a sugerir que o país vizinho se tornasse o 51º estado americano. Na última terça-feira (8), o governo provincial instalou placas em pontos de passagem na fronteira com os Estados Unidos trazendo uma mensagem clara: "Forte, orgulhoso e NUNCA será o 51º estado. DESCULPE". A instalação aconteceu no mesmo dia em que entraram em vigor as tarifas de retaliação canadenses sobre produtos americanos, avaliados em C$ 27,6 bilhões — cerca de R$ 102,4 bilhões. Em resposta, a Casa Branca anunciou uma taxa adicional de 50% sobre determinados produtos canadenses importados.
O premiê da Colúmbia Britânica, David Eby, classificou o comportamento do presidente americano como inadequado para um líder de grande potência. "Tudo o que posso dizer é que o presidente está claramente desequilibrado; essas provocações são bizarras, são perturbadoras e não condizem com o líder da maior economia e do maior exército do mundo", declarou. Eby acrescentou que a situação demonstra a necessidade de o Canadá diversificar suas relações comerciais em busca de maior estabilidade, já que atualmente não há negociações em curso entre os dois governos. A expectativa, segundo ele, é que a população americana passe a compreender melhor a relação entre os dois países e apoie candidatos que defendam cooperação, em vez da postura adotada pela atual administração.
A disputa comercial entre os dois países já se arrasta há aproximadamente 18 meses e se intensificou nas últimas semanas. Em postagem na rede social Truth Social no dia 24 de agosto, Trump afirmou que o Canadá vinha explorando os Estados Unidos havia anos, citando supostos prejuízos de US$ 60 bilhões na balança comercial e tarifas consideradas excessivas sobre produtos do setor agrícola americano. Chegou a anunciar que, a partir de 1º de janeiro de 2027, veículos, autopeças e aço importados do Canadá passariam a sofrer tarifa de 50%, e que o país deixaria de ser tratado com privilégios semelhantes aos de um estado.
Além das medidas econômicas, o presidente americano também assinou um decreto ordenando a alteração imediata da denominação do Lago Ontário para "Lago América". A mudança chegou a aparecer em serviços de mapas na internet. O corpo d'água faz fronteira tanto com a província de Ontário quanto com o estado de Nova York e é um dos cinco Grandes Lagos da América do Norte. Em resposta, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, publicou mensagem em rede social reafirmando que o nome Lago Ontário permaneceria. Segundo ele, a denominação tem mais de 400 anos, antecede tanto a Confederação Canadense quanto a Declaração de Independência dos Estados Unidos e deriva de termo indígena Wendat que significa "o lago é belo, o lago é grande". "Os canadenses também sabem que dar nome à realidade significa chamá-lo de Lago Ontário — ontem, hoje e sempre", escreveu Carney.
Dados de pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos indicam que apenas 20% dos eleitores americanos aprovam as tarifas impostas por Trump ao Canadá. Analistas políticos alertam ainda que, embora Mark Carney conte atualmente com amplo apoio popular, esse cenário pode se alterar nos próximos meses na medida em que os efeitos da guerra comercial se tornarem mais evidentes para a população.
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