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Putin sinaliza abertura para diálogo com europeus e faz alerta sobre risco de conflito sem vencedores

há 1 hora
3 min de leitura

Reprodução
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (29) que Moscou apoia iniciativas para restabelecer relações com os países europeus. Ao mesmo tempo, declarou que o país está preparado para uma eventual guerra com a Europa, embora não queira que um conflito desse tipo aconteça.

As declarações foram feitas a jornalistas após uma cúpula com líderes africanos, em Moscou. Putin também advertiu que uma escalada militar poderia terminar sem vencedores e pediu que os governos europeus considerem os riscos de levar as tensões a um nível ainda mais elevado.

“Estamos preparados, mas não queremos uma guerra com a Europa. E, se alguém a deseja, que se prepare”, afirmou o presidente russo. Ele acrescentou que, caso a situação vá longe demais, “não haverá vencedores”.

Putin defende retomada do diálogo com países europeus

Ao comentar as possibilidades de reaproximação diplomática, Putin declarou que a Rússia apoia medidas destinadas a recuperar relações plenas com os países europeus, tanto por meio da União Europeia (UE) quanto em negociações bilaterais com governos específicos.

A manifestação ocorreu depois de uma conversa telefônica realizada nesta semana com o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre.

Segundo Putin, os dois líderes agiram corretamente ao estabelecer contato com Moscou, apesar das críticas de outros governos europeus. Parte das autoridades do continente considera que conversas individuais com o Kremlin podem enfraquecer a posição conjunta da Europa diante da Rússia.

O presidente russo, porém, afirmou que há representantes europeus interessados em construir um diálogo com Moscou, em vez de concentrar esforços em uma derrota estratégica russa.

A conversa entre os líderes nórdicos e Putin ocorreu em meio às tensões provocadas pela guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, e às divergências entre Moscou e governos ocidentais sobre segurança continental.

Mar Báltico preocupa Moscou

Outro tema abordado por Putin foi a segurança da navegação no Mar Báltico. O presidente afirmou que a Rússia não deseja que a circulação marítima na região seja restringida e alertou para os riscos de uma escalada que comprometa o tráfego de embarcações.

Para ilustrar o cenário que considera indesejável, Putin comparou a situação no Báltico às dificuldades observadas no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em fevereiro.

“Alguém deseja que ocorra no Báltico a mesma situação vista no Golfo ou no Estreito de Ormuz?”, questionou. Em seguida, afirmou que Moscou não quer esse cenário, mas responderá a qualquer desafio.

A declaração evidencia que, apesar da disposição anunciada para retomar o diálogo, o governo russo continua tratando a segurança marítima e as relações com os países europeus como questões estratégicas.

Contatos diplomáticos ocorrem em meio a divergências europeias

A iniciativa de Stubb e Støre de conversar diretamente com Putin provocou críticas em parte da Europa. Entre os questionamentos está a preocupação de que contatos individuais com o presidente russo possam comprometer a coordenação entre os países europeus.

Putin, por sua vez, elogiou a iniciativa dos dois líderes e afirmou que conversas desse tipo podem abrir espaço para uma relação mais construtiva.

A retomada do diálogo, contudo, não representa o encerramento das divergências entre Moscou e os governos europeus. A guerra na Ucrânia, as preocupações com a segurança regional e as acusações mútuas continuam sendo obstáculos para uma normalização das relações.

Ao defender a reaproximação e, simultaneamente, afirmar que a Rússia está preparada para um possível confronto, Putin enviou uma mensagem que combina abertura diplomática com advertências militares. O presidente não anunciou, porém, um acordo ou uma iniciativa concreta que estabeleça um calendário para a normalização das relações com a Europa.

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