Queimadas no Amazonas sufocam cidades, mobilizam força-tarefa federal e levantam suspeitas de incêndios criminosos
há 7 horas
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Uma onda de queimadas no Amazonas provocou uma grave crise ambiental e de qualidade do ar, atingindo cidades, prejudicando a rotina da população e mobilizando uma força-tarefa com a participação dos governos estadual e federal. Além da dimensão dos incêndios, as autoridades investigam a possibilidade de que parte dos focos tenha sido provocada intencionalmente para degradar áreas de floresta preservada e favorecer o desmatamento.
A situação se agravou em outubro, quando o número de ocorrências aumentou significativamente e a fumaça passou a encobrir Manaus. A poluição atmosférica chegou a níveis considerados alarmantes, levando autoridades a alertar para os riscos à saúde e a recomendar cuidados especiais à população.
No sábado, 17 de outubro, a Polícia Militar prendeu 11 pessoas suspeitas de envolvimento com incêndios no município de Autazes, a aproximadamente 267 quilômetros de Manaus. A informação foi divulgada pelo governador do Amazonas, Roberto Cidade, do União Brasil. Ele afirmou que as forças de segurança trabalham para identificar pessoas que estariam provocando queimadas no estado, mas não detalhou quais crimes são atribuídos aos detidos.
Suspeita de incêndios provocados de forma intencional
A possibilidade de ação criminosa ganhou força depois que equipes ambientais identificaram focos de incêndio em áreas de floresta preservada, distantes de regiões de pastagem e de atividades agropecuárias.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, sobrevoou áreas atingidas e afirmou que a localização dos focos levantava suspeitas de que o fogo estivesse sendo utilizado deliberadamente para degradar a vegetação e abrir caminho para o desmatamento.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, incêndios que começam em pastagens e avançam para a floresta apresentam características diferentes daqueles identificados diretamente no interior da vegetação preservada. Nesse segundo cenário, a localização dos focos é considerada um indício de possível ação intencional, embora as circunstâncias e a identificação dos responsáveis dependam das investigações.
O governo federal reforçou a necessidade de atuação das forças policiais para identificar e responsabilizar os envolvidos. As apurações buscam esclarecer a origem dos incêndios e verificar se há pessoas agindo de maneira coordenada.
O uso do fogo na vegetação está proibido por determinação estadual desde setembro, conforme as autoridades. Por isso, o ministro destacou que os incêndios devem ser tratados como ocorrências ilegais e que os responsáveis precisam ser punidos.
Força-tarefa recebe reforço federal
Diante da gravidade da situação, uma comitiva do governo federal chegou a Manaus no domingo, 18 de outubro, para avaliar os incêndios e anunciar novas medidas de apoio às operações de combate.
Entre as ações previstas está o reforço da participação das Forças Armadas. A instalação de um Estado-Maior Conjunto na capital amazonense foi anunciada para coordenar as operações militares a partir de terça-feira, dia 20.
O governo também anunciou a liberação de R$ 14 milhões para apoiar as ações estaduais, além do envio de brigadistas e aeronaves. A estrutura mobilizada inclui aviões para lançamento de água, transporte de equipes e apoio logístico em regiões de difícil acesso.
Até então, 11 aeronaves e cerca de 200 brigadistas atuavam no combate às chamas, com previsão de ampliação desse contingente. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que mais de 300 incêndios haviam sido extintos desde o início da temporada, em junho.
O reforço pretende ampliar a capacidade de resposta dos órgãos ambientais e das equipes de emergência, especialmente nas áreas mais difíceis de alcançar. Além de controlar os focos ativos, as autoridades buscam impedir que novos incêndios se espalhem pela vegetação.
Fumaça transforma qualidade do ar em emergência de saúde pública
A fumaça das queimadas provocou uma situação crítica em Manaus. A concentração de partículas finas atingiu níveis considerados péssimos pela classificação ambiental utilizada pelas autoridades.
Às 6h30 de sábado, 17 de outubro, a concentração média de partículas finas chegou a 401,4 microgramas por metro cúbico, de acordo com sensores de monitoramento. A poluição reduziu a qualidade do ar e tornou a respiração uma preocupação para os moradores.
O ministro João Paulo Capobianco classificou o cenário como uma emergência de saúde pública. Segundo ele, as condições meteorológicas e a direção dos ventos contribuíram para concentrar na capital a fumaça proveniente de diferentes regiões.
A exposição à fumaça representa um risco especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Diante da persistência do problema, as autoridades municipais recomendaram cuidados para reduzir os efeitos da poluição.
A situação também afetou atividades cotidianas e chegou a interferir em operações aéreas. A preocupação das autoridades é que a continuidade dos incêndios mantenha a população exposta a níveis elevados de poluentes, mesmo em locais distantes dos focos de fogo.
Como parte da resposta, o governo federal anunciou a instalação de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde em Manaus. A estrutura deve ajudar a avaliar as necessidades da rede de atendimento e apoiar os gestores locais diante dos impactos provocados pelas queimadas.
Número de incêndios mais que dobrou em 2026
Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram a dimensão do avanço das queimadas no Amazonas. Entre 1º de janeiro e 12 de outubro de 2026, o estado registrou 7.815 focos de incêndio, um aumento de 116% em comparação com o mesmo intervalo de 2025.
O crescimento das ocorrências reforçou a preocupação com a propagação do fogo durante o período de estiagem, quando a vegetação fica mais suscetível à queima. As condições climáticas podem facilitar a expansão das chamas, mas não afastam a necessidade de investigar os focos identificados em áreas preservadas.
O Ministério do Meio Ambiente também destacou que a localização de incêndios no interior da floresta pode indicar uma estratégia de degradação ambiental. A hipótese é que o fogo seja utilizado para danificar a vegetação e facilitar uma ocupação ou exploração posterior da área.
As autoridades ressaltam, entretanto, que a confirmação das responsabilidades depende do trabalho dos órgãos de investigação. A Polícia Federal foi procurada para comentar o caso, mas não havia respondido até a divulgação das informações.
Emergência atinge dezenas de municípios
A crise levou ao reconhecimento da situação de emergência em 36 municípios amazonenses. A medida permite reforçar a mobilização de recursos e organizar a resposta aos danos provocados pelos incêndios.
Além do trabalho das equipes ambientais, o enfrentamento envolve órgãos estaduais e federais, forças policiais e profissionais de saúde. A atuação conjunta busca conter os focos, investigar possíveis crimes ambientais e reduzir os prejuízos para as comunidades afetadas.
O desafio é ainda maior em áreas remotas, onde o acesso limitado dificulta o deslocamento de equipes e equipamentos. Nessas regiões, o apoio aéreo e logístico é fundamental para alcançar os pontos atingidos e impedir que as chamas avancem.
Com o aumento dos registros de incêndio, a fumaça sobre Manaus e as suspeitas de ação criminosa, o Amazonas enfrenta uma crise que reúne impactos ambientais, riscos à saúde pública e investigações policiais. O governo aposta no reforço da força-tarefa para conter os incêndios, enquanto as autoridades trabalham para esclarecer a origem dos focos e identificar os responsáveis.
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