Rato encontrado dentro de bolo em Porto Alegre teria sido assado junto com o alimento, diz delegada
há 2 horas
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Foto: Reprodução Polícia Civil
Um rato morto encontrado dentro de um bolo vendido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, teria sido assado junto com o alimento. A avaliação é da delegada Milena Simioli, responsável pela Delegacia de Polícia de Proteção aos Direitos do Consumidor (Decon), que investiga o caso. Segundo a Polícia Civil, a hipótese é que o roedor já estivesse no forno e tenha caído na massa ao tentar sair, sendo assado durante o preparo.
O bolo foi comprado na unidade da Casa de Bolos localizada no bairro Cavalhada, na Zona Sul da capital gaúcha. O consumidor só percebeu a presença do animal depois de aproximadamente três dias, período em que o alimento já havia sido parcialmente consumido.
De acordo com a investigação, duas pessoas ingeriram parte do produto antes de identificarem o roedor. Após procurarem atendimento médico e passarem por avaliação de um infectologista, elas começaram a tomar medicamentos preventivos contra a leptospirose. As vítimas aguardam para saber se houve infecção, já que a doença pode apresentar um período de incubação de até 30 dias.
A delegada considera improvável que o rato tenha sido colocado no bolo depois que o produto deixou o estabelecimento. A avaliação policial é de que o animal já estava no forno e acabou incorporado à massa durante o cozimento. Até o momento, a investigação não aponta para uma ação proposital.
Fiscalização encontra fezes de ratos e alimentos vencidos
A denúncia levou a Polícia Civil a acionar a Vigilância Sanitária para inspecionar o estabelecimento onde o bolo foi comprado. Durante a fiscalização na unidade da Cavalhada, os agentes encontraram fezes e urina de roedores em diferentes pontos do local, inclusive nas proximidades de recipientes com alimentos.
Também foram identificados produtos com prazo de validade vencido, sinais de fungos e estruturas enferrujadas, além de outras condições inadequadas de higiene. As irregularidades motivaram medidas contra o estabelecimento e deram maior dimensão à investigação sobre os riscos oferecidos aos consumidores.
Outra unidade da mesma rede, localizada na região central de Porto Alegre, também foi fiscalizada. Segundo as autoridades, foram constatadas condições sanitárias semelhantes. Os dois estabelecimentos vistoriados foram interditados.
A operação foi realizada por equipes da Delegacia do Consumidor, com apoio da Vigilância Sanitária e da 13ª Delegacia de Polícia da capital. A fiscalização faz parte de ações voltadas ao combate de irregularidades na produção e na comercialização de alimentos.
Proprietária foi presa e liberada após audiência de custódia
A proprietária do estabelecimento onde o bolo foi comprado, Amanda Borges Lopes Schenk, de 41 anos, foi presa em flagrante na quarta-feira (14), sob suspeita de crime contra as relações de consumo, relacionado à venda de produto impróprio para consumo.
Na quinta-feira (15), ela passou por audiência de custódia e foi colocada em liberdade provisória. A liberação está condicionada, entre outras exigências, à adequação às normas sanitárias, conforme as informações divulgadas sobre o caso.
A investigação ainda deve ouvir funcionários e outras testemunhas para apurar as circunstâncias do ocorrido e verificar se trabalhadores ou responsáveis pela gestão dos estabelecimentos tiveram participação ou responsabilidade nas irregularidades identificadas.
A Vigilância Sanitária deverá realizar novas vistorias antes de avaliar a possibilidade de reabertura das lojas. O objetivo é verificar se as exigências de higiene e segurança alimentar foram cumpridas.
Defesa afirma que realiza apuração interna
Em nota, a defesa de Amanda informou que a empresária já está em liberdade e que o caso está sendo tratado com seriedade. Os advogados afirmaram que o estabelecimento mantém, há mais de 11 anos, serviços de dedetização e controle de pragas, sem ocorrências anteriores, e que existem responsáveis pela gestão operacional, limpeza e manutenção.
A defesa também declarou que iniciou uma auditoria interna para examinar as circunstâncias do episódio, os procedimentos adotados e os controles existentes. Entre as possibilidades que pretende apurar está uma eventual sabotagem por parte de algum funcionário, hipótese apresentada pelos advogados como algo ainda a ser investigado, sem conclusão antecipada.
A rede Casa de Bolos, por sua vez, lamentou o ocorrido na unidade da Cavalhada e classificou como inaceitável qualquer situação que coloque em risco a saúde e a segurança dos consumidores. A franqueadora informou que acompanha o caso junto às autoridades e ao departamento jurídico, além de conduzir uma apuração interna para esclarecer os fatos e avaliar as medidas cabíveis.
A empresa acrescentou que, embora as unidades sejam operadas por franqueados independentes, todas devem seguir as diretrizes e os padrões operacionais e sanitários estabelecidos pela rede. A investigação continua, e a reabertura dos estabelecimentos depende de nova avaliação das condições sanitárias.
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