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Reposição de testosterona em mulheres não deve ser usada como solução para envelhecimento ou estética, alertam especialistas

  • 7 de ago.
  • 2 min de leitura
Reposição de testosterona em mulheres não deve ser usada como solução para envelhecimento ou estética, alertam especialistas
Divulgaçã/Sociedades médicas reforçam que reposição hormonal só deve ocorrer com indicação clínica e acompanhamento profissional.
Uso de testosterona por mulheres sem indicação médica pode trazer riscos à saúde, alertam especialistas.

Promessas de pele mais firme, ganho de massa muscular, emagrecimento, aumento da libido e melhora da disposição têm circulado com frequência nas redes sociais associadas ao uso de testosterona por mulheres. No entanto, especialistas alertam que é falsa a ideia de que toda mulher precisa repor o hormônio para melhorar a saúde ou combater os efeitos do envelhecimento.

A reposição de testosterona, assim como de outros hormônios, não é uma necessidade geral e deve ser considerada apenas quando houver indicação clínica, após avaliação individualizada, levando em conta sintomas, exames, histórico de saúde e evidências científicas.

Indicação é restrita a casos específicos
Segundo sociedades médicas, a única indicação terapêutica reconhecida para o uso de testosterona em mulheres é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) em mulheres na pós-menopausa.

Mesmo nesses casos, o tratamento deve ser realizado com acompanhamento médico e somente após a avaliação de outras possibilidades terapêuticas e a confirmação da persistência do quadro.

Uma nota conjunta publicada em 2025 pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e pelo Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforçou que o uso indiscriminado do hormônio não possui respaldo científico.

O documento também destaca que a realização de dosagens hormonais como exame de rotina ou sob a justificativa de “déficit androgênico” pode levar a prescrições sem necessidade comprovada.

Uso sem acompanhamento pode causar efeitos adversos
Especialistas alertam que o uso de testosterona sem indicação, em doses acima das recomendadas ou associada a outras substâncias pode aumentar os riscos à saúde.
Entre os possíveis efeitos adversos estão:
  • Acne;
  • Queda significativa de cabelo e pelos (alopecia);
  • Alterações no fígado;
  • Mudanças nos níveis de colesterol e gorduras no sangue;
  • Dependência psicológica;
  • Problemas cardiovasculares.

Dados de farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre medicamentos classificados como anabolizantes apontam aumento das notificações de eventos adversos nos últimos anos, com maior registro em 2024.

Testosterona e somatropina, medicamentos regularizados no Brasil e com indicações específicas aprovadas, representam mais de 90% das notificações desse grupo.

A Anvisa ressalta, porém, que o aumento dos registros não significa necessariamente crescimento proporcional dos problemas causados pelos medicamentos. As notificações também podem ser influenciadas por maior conscientização de pacientes e profissionais, ampliação dos canais digitais e maior participação nos sistemas de monitoramento.

Diante das promessas divulgadas nas redes sociais, especialistas reforçam que qualquer tratamento hormonal deve ser iniciado somente após avaliação médica e com acompanhamento adequado.
Fonte: Anvisa

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Gazeta de Varginha

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