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‘Revolta’ contra o Atacadão na França: políticos querem barrar chegada do ‘atacarejo’ brasileiro

  • 4 de ago. de 2023
  • 2 min de leitura

Foto: O Globo

Aposta de crescimento do grupo Carrefour em seu país natal, a chegada do brasileiro Atacadão à França enfrenta nova onda de resistência.
Poucos meses depois de o prefeito da comuna de Sevran ter conseguido barrar a instalação da primeira unidade do “atacarejo” no país, políticos de outra cidade dos arredores de Paris se mobilizam contra os planos do gigante varejista. A comuna em questão é a de Aulnay-sous-Bois, localizada a meia hora de Paris e, ironicamente, a pouquíssimos quilômetros de Sevran.
Após ver frustrados seus planos na comuna ao lado, o Carrefour anunciou há algumas semanas que tinha escolhido Aulnay-sous-Bois como destino do “atacarejo”.
O plano é transformar o Carrefour do centro comercial local em Atacadão por meio de um investimento de € 10 milhões.
A inauguração está prevista para o ano que vem. Diferentemente de Sevran, o prefeito de Aulnay-sous-Bois, Bruno Beschizza (do partido de centro-direita Les Républicains), abraçou a ideia. Mas o projeto já desperta resistência de políticos de esquerda e de parte dos habitantes.

Abaixo-assinado
Um abaixo-assinado on-line contrário à instalação do Atacadão foi criado nas últimas semanas por Mehdi Chtioui, que trabalha com a deputada Nadège Abomangoli (do partido mais à esquerda na Assembleia Nacional, o La France Insoumise). Perto de 400 pessoas já assinaram. Os argumentos são semelhantes àqueles levantados pelo prefeito de Sevran.
“Nós, deputada, eleitos, forças políticas de esquerda, trabalhadores e moradores lançamos uma petição para dizer NÃO AO ATACADÃO!”, afirma o abaixo-assinado, com direito a letras em caixa alta. “Aulnay e os habitantes de Seine-Saint-Denis (departamento onde fica a comuna) merecem algo melhor do que esse projeto miserável, de baixo custo, que ameaça o emprego, privilegia o uso excessivo de automóveis, prejudica a oferta comercial e impõe um modelo de consumo que vai contra as questões de saúde e ambientais.”
Segundo o abaixo-assinado, empregos serão eliminados porque o Atacadão tende a ter menos gôndolas e produtos que o Carrefour. Ele argumenta também que, nos outros países em que o “atacarejo” opera, os salários são mais baixos que os oferecidos pelo Carrefour.
Segundo o jornal Le Parisien, o Atacadão também foi tema de debate recente na câmara municipal de Aulnay-sous-Bois, com o representante socialista Oussouf Siby acusando o prefeito de ter “estendido um tapete vermelho” para o “atacarejo”, a despeito dos problemas levantados por parte dos habitantes.
O Carrefour comprou o Atacadão em 2007, e a rede já representa quase 70% do faturamento do grupo no Brasil. Em novembro, o varejista francês anunciou que importaria o “atacarejo” para seu país natal, justamente em um momento de aperto inflacionário que deixa os consumidores franceses sedentos por descontos.
Fonte: O Globo


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